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Desenho e Pintura. A arte na ponta dos dedos

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Desenho e pintura com alma e coração, são os pontos de partida para três histórias inspiradoras. Isabel Carvalho, Ana Malhado e Augusta de Sousa não fazem da arte a sua principal atividade profissional, mas é através dela que se expressam, que partilham saberes, fazem amizades e dão cor à vida.

 

Isabel Leite

“Um pensar não pensar. Quando estou a criar abstraio-me e é quase impossível estar a pensar noutra coisa”. As palavras de Isabel Carvalho, 54 anos, artista e professora de Artes, expressam a emoção e o relaxamento que a arte lhe proporciona. O desenho, mas também a pintura, fazem parte da sua vida; talento que a chamou desde pequena. Em Lisboa onde nasceu e cresceu e que a acompanhou até Alcobaça, onde está há muitos anos, a viver e a ensinar. Paralelamente à carreira de professora, que sempre abraçou, quer nas escolas, ou em aulas particulares de pintura em casa, trabalhou também na área do design de cerâmica, desde a criação do objeto em si até à decoração do mesmo, em desenho e pintura em muitas lojas de decoração. “A pintura surgiu na minha vida, depois do desenho, quando me pediram para fazer um retrato, mas faço um bocadinho do que me apetece”, confessa. “Às vezes, no desenho sou muito figurativa, mas depois na pintura, sou e não sou”, explica, adiantando que “gosto do real, do irreal e da mistura dos dois”. Com um gosto especial pelo abstrato, Isabel afirma estar sempre a criar. “Nunca estou parada, seja para expor ou não”, confessa, “até porque a criatividade também se ginastica”, garante. E concluiu: “Se a minha paixão é desenhar, isto é também uma mais-valia para os meus alunos; estou a ensinar-lhes uma coisa que gosto mesmo de fazer”. Uma paixão que brota na ponta dos dedos.

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“As ciências estão ligadas às artes. A vida em cima do património edificado, a natureza na paisagem, no meio envolvente e do património que o homem vai construindo”. Assim explora Ana Malhado a transposição da sua formação e atividade profissional, de Biologia para as Artes. Natural de Vila Franca de Xira, mas em Pataias há 21 anos, a professora de Biologia conta que se lançou na pintura em 2002.
Inicialmente com óleo e pastel de óleo, mas só em 2011, depois de um workshop com um aguarelista em Alcobaça e depois com outro em 2013, de Torres Vedras, se apaixonou por esta técnica e a foi aperfeiçoando. “Fiquei fã porque é muito à la prima, de transparência, mancha e a água é que pinta”, explica. Em 2014, conheceu um aguarelista, arquiteto argentino, e nasceu o projeto “Mostra de Aguarela a 6 Mãos – Portugal, Itália, Argentina”. Foram três aguarelistas destas nacionalidades pintando sobretudo pontos ou apontamentos do património edificado. Obras que tem vindo a expor sobretudo na região, mas também em Itália. “Hoje toda a gente tira fotografias, mas a não ser que as revelem é tudo efémero. A aguarela não, está logo ali revelada. Além disso posso estar a pintar algo e alguém gostar e comprar. Saber que alguém leva uma coisa nossa, da região, de Portugal, para casa é muito gratificante”. Arte para partilhar.

 

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É com uma paixão genuína por quem gosta da pintura a óleo e de restauro de arte sacra que Maria Augusta de Sousa dá vida aos seus quadros. Nascida em Lisboa em 1950 e a viver na Benedita há 41 anos, conta como este gosto se manifestou. “Tinha sete anos, pegava numa caneta de tinta permanente e com os dedos ia salpicando os cadernos”, recorda, explicando que apesar deste gosto, a educação foi direcionada para outras áreas. “Só comecei a frequentar aulas de pintura, após ter terminado o 7º ano do antigo liceu e o meu pai me autorizou a ter aulas particulares; tinha 18 anos”. Formação em Artes Decorativas, Pintura e Restauro sob a orientação de France de Vasconcelos e Josefa de Vasconcelos, em Lisboa.
A sua vinda para a Benedita aconteceu em 1976, depois de casar. Apesar de sempre ter ajudado os pais no comércio industrial, nas fábricas da família, foi sempre dedicando-se ao que mais gosta de fazer. Além da pintura de cavalete, realizou numerosos trabalhos de restauro em arte sacra e pintura em igrejas da região e do país. Aprendendo e aperfeiçoando a sua arte, foi também partilhando o seu saber com outros, lecionando e dando formação na Benedita, Rio Maior, Cartaxo, Alcobaça, Casa da Cultura S. Martinho do Porto, entre outros lugares. Augustinha, como é carinhosamente conhecida, confessa que, quando quer um quadro para si, nunca o termina; mas gosta de partilhar e de ensinar pelo gosto de dar aos outros o que a arte tanto lhe tem dado ao longo da vida.

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