Entrevista

Joaquim Rui Coelho. “A cidade tem potencial para a cultura e para o turismo”

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Joaquim Rui Coelho assumiu a presidência da Câmara de Alcobaça em setembro de 1981, por abandono de lugar do então presidente João Magalhães. Em 1982, ganhou as eleições e depois, novamente, em dezembro de 1985, cumprindo dois mandatos. Foi ainda vereador da oposição de 1989 a 1993. De dezembro de 1997 até final de 2002, foi vice-presidente no mandato de Gonçalves Sapinho.  O antigo presidente de Câmara de Alcobaça, de 71 anos, faz um balanço da sua atividade autárquica e do estado de desenvolvimento do concelho.

A esta distância, como lê os seus mandatos autárquicos?
O concelho estava bastante atrasado, sobretudo de infraestruturas básicas, do abastecimento de água. O próprio abastecimento à então vila de Alcobaça era deficiente e a maioria das freguesias não tinha o abastecimento domiciliário. No príncipio, a prioridade foi o abastecimento de água e o saneamento básico. Fizemos as duas primeiras estações de tratamento de águas residuais no concelho.

Terão sido os projetos concretizados mais relevantes?
Sem dúvida, o abastecimento de água e o saneamento básico foram das coisas mais marcantes. Mas também algumas por grande pressão nossa. Foram feitas a escola básica e secundária de São Martinho do Porto, a escola de Pataias, o ciclo da Benedita, a D. Pedro I em Alcobaça. Cinco escolas preparatórias e secundárias, para além de centros de saúde. Quando cheguei a presidente da câmara, só havia uma pré-primária oficial e depois eu criei 31, com o apoio da Administração Central, mas era preciso «andar em cima» dos senhores secretários de Estado. Foi criado o Museu do Mosteiro de Alcobaça, em 1985, e também a candidatura a Património Mundial, aprovada a 16 de setembro de 1989, ainda na minha presidência.

Que intervenção pública ou política mantém?
Desde a saída do último mandato, que tive na câmara com o Dr. Gonçalves Sapinho, desliguei-me completamente. Sou apenas um cidadão atento e interessado como deveriam ser todos. Tenho 71 anos, vai surgindo gente nova com qualidade e, portanto, é tempo dos novos.

Como comenta o desenvolvimento do concelho?
Vejo com alguma preocupação. Não se vê crescimento, Alcobaça está a definhar. Objetivamente, Alcobaça tem cada vez menos gente porque faltam atividades económicas que gerem empregos. Vamos assistindo a uma cada vez maior debandada dos jovens. Começam por ir estudar para fora, porque infelizmente nunca se conseguiu o ensino superior para Alcobaça. Esses jovens vão ficando pelos sítios por onde vão estudar e onde surgem essas hipóteses de emprego. Vejo, com muito agrado mais jardins, parques verdes. São naturalmente coisas bem-vindas, mas receio é que não haja gente para as frequentar. Alcobaça está a ficar cheia de prédios em ruínas, aqui há 30 anos a construção era um fervilhar. Não estou a dizer isto por estar lá nessa altura; tive a sorte de a que a conjuntura era favorável e havia uma situação no concelho praticamente de pleno emprego e não era por mérito da câmara ou do presidente. Infelizmente, depois surgem as crises, há os ciclos económicos. Penso que Alcobaça já deveria ter ensino superior, para além daqueles que felizmente não deram resultado nenhum, as ligações com a Universidade de Coimbra e depois em parte timidamente com o IPL [Instituto Politécnico de Leiria], que fariam adivinhar polos universitários. Não deram nada. Vamos ficando cada vez mais isolados.

 

Saiba mais na edição impressa e digital de 8 de março de 2018.

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