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Mães de filhos conhecidos partilham histórias de vida

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Estão sempre presentes, como modelo ou inspiração. E, se eles são tão especiais, é também por conta desse amor que receberam de suas mães. Isabel Nicolau, Clara Fonseca e Deolinda Piedade, três mães de caras conhecidas da região, contam histórias de vida, fantásticas e inspiradoras.

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Com um sorriso e uma beleza genuína que não revela os seus 60 anos. É assim Isabel Nicolau, mãe de Diana Nicolau, jovem atriz portuguesa e rosto conhecido da televisão pela representação, mas também pelo trabalho dedicado aos outros. Natural de Pena Lobo, Concelho do Sabugal, mas a viver em Alcobaça há 26 anos, a mãe Isabel explica que o papel de educar sempre fez parte da sua vida. Até pela profissão, como educadora de infância, de que se reformou há quatro anos. Mãe de duas meninas, confessa ser uma «mãe galinha».  “As nossas prioridades sempre foram as miúdas e apesar de as deixar voar e de serem umas mulheres do mundo, são e serão sempre as nossas meninas pequenas; mesmo hoje elas tendo 30 anos, assim o é”. Como quando a Diana com 16 anos foi para Cascais fazer o curso de representação, ou a Ana, a irmã mais velha de Diana, que andou por diversos países, até se estabelecer no Luxemburgo. “Deixamo-las partir sempre com muita confiança, nessas bases com que as educámos com muita verdade”, mas “somos muito ligados e, mesmo longe, sempre que possível, estamos juntos”, garante. A proximidade não tem o intuito de controlar, mas para saber se estão bem e por ser assim que se relacionam. É nesta referência de confiança que fala de Diana, a mais mediática das suas filhas: “não interferimos na sua vida e escolhas, vamos dando a nossa opinião e ela faz o que entender”. E como se define como mãe? “Sou uma amiga, mas nunca deixei de ser essa mãe que quer a felicidade dos seus filhos”. A ânsia que sempre faz bater o coração materno.

Clara Fonseca é natural do Bárrio e tem 53 anos. Mas não parece. Com uma simpatia que enche o coração e uma alegria de viver contagiantes, a mãe de Filipa Gomes, presidente de Junta de Freguesia do Bárrio, não transparece as dificuldades que a vida lhe traçou. Nascida e criada naquela terra, cedo começou a trabalhar. Primeiro para ajudar os seus pais, num café que tinham ou no campo. Mais tarde, e como foi mãe muito jovem, para criar as duas filhas: “trabalhei na Crisal de Alcobaça durante 11 anos, depois com a minha irmã, tive um mini mercado e café”, durante sete anos. Mas um acidente trouxe muito maiores dificuldades. Um camião passou-lhe por cima de um pé, traumatismo que a condiciona e limita fisicamente para trabalhar. Clara confessa ser “uma mãe galinha não sendo” porque “apesar de preocupada sempre dei liberdade às minhas filhas e sempre confiei nelas”. Mas “nunca é fácil para uma mãe ter uma filha a sair de casa”, conta referindo-se aos tempos em que a Filipa foi estudar Direito para Lisboa, ou à partida da irmã de Filipa, atualmente a viver e a trabalhar em França. Com grande força interior e vontade de acreditar que está tudo bem, assume que esse papel cresceu agora que é avó. “É como ser mãe novamente, os meus netos são a continuação da luz das minhas filhas”, acrescenta. Quanto ao trabalho da filha Filipa, sente-se orgulhosa “de ver o que ela está a fazer pela terra”, concluindo: “os filhos, são a melhor coisa que podemos ter”. Um amor grandioso que só um coração de mãe é capaz de sentir.

Maria Deolinda Piedade, conhecida por Deolinda Boneca, é natural do Sítio e vive em Valado dos Frades desde pequena. Tem 68 anos e é mãe de Regina Piedade Matos, vereadora da Ação Social na Câmara Municipal da Nazaré e presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Nazaré. Deolinda é ainda mãe de mais três filhas e um filho. Por detrás deste rosto sorridente, está um outro que esconde as amarguras de uma vida. A mais nova de dois irmãos, cedo aprendeu o papel de mãe tomando conta dos sobrinhos, mas se no seu coração cabia esse amor de cuidar, a vontade de ajudar os seus pais também a levou a fazer de tudo um pouco na vida. Depois, a vida de casada não foi mais fácil, um caminho de quase 50 anos, trilhado por momentos duros, como o regresso do seu marido da guerra em Angola sem uma perna e muito fragilizado emocionalmente. A par com momentos bons, como os nascimentos dos cinco filhos, a que acresce o amor de sete netos que garante ser “maravilhoso”, e onde entra o papel de educar. Que para si significa “o alertá-los para o bem e para o mal, dizer-lhes sim quando é sim, mas também dizer-lhes não, quando é não”.
É com esta simplicidade e com o coração apertado, por ter três dos seus filhos longe, em França, que fala de Regina: “educada e humilde”, que compreende pessoas de todos os níveis” e “é isso que a faz ser uma pessoa boa”. É com olhos toldados de lágrimas que conclui: “somos muito unidos e apesar de sermos humildes há espaço para todos”. União que o seu coração gigante de mãe abraça.

 

 

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