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Roma Æterna, às portas do Kremlin

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Nos tempos do império romano, falava-se da Roma Eterna, mas foi com o cristianismo que Roma conseguiu verdadeiramente sobreviver à caducidade dos séculos. Inclusivamente, alguns quiseram que, como centro da Igreja, Roma se libertasse da referência geográfica e começasse a vaguear pelo mundo. A dada altura, Constantinopla proclamou-se a Segunda Roma e, séculos depois, Moscovo declarou-se a Terceira Roma. O urbanismo de Moscovo e a arquitetura do Kremlin correspondiam à miragem dessa Terceira Roma, também ela com aspirações a ser Eterna. Muitas capitais que acalentaram sonhos de grandeza num mundo globalizado, como Lisboa, Moscovo, etc., descobriram que tinham sete colinas. Exatamente sete colinas, como a Primeira Roma nas margens do rio Tibre.
Agora, Moscovo alberga realmente uma extraordinária “Roma Æterna” – assim se chama, com o título em latim, a exposição de 42 peças do Museu Vaticano patentes na Galeria Tretyakov. As filas de visitantes dão a volta aos quarteirões para admirar obras-primas de Raffaello, Caravaggio, Bellini, Guercino, Perugino, Poussin, Reni, Forli… Para o curador russo, Arkady Ippolitov, a Roma Eterna “não é apenas uma cidade, não é uma capital, mas o núcleo da história europeia e a quintessência, o que há de melhor, no espírito europeu”.
A iniciativa da exposição “Roma Æterna” partiu do encontro do Papa Francisco com Vladimir Putin, em 2013, e completar-se-á quando, no final de 2017, uma coleção de obras da Galeria Tretyakov visitar o Vaticano.
Dentro de Itália, além dos bombeiros vaticanos que acorreram a socorrer as vítimas dos recentes terramotos, a diretora do Museu Vaticano, Barbara Jatta, anunciou que uma vintena dos 65 restauradores do museu se voluntariou para ajudar a recuperar o património artístico no local.
Colaborando em todas as direções, o Museu Vaticano quer fazer destas palavras do Papa Francisco, uma espécie de lema: “a beleza une-nos”.
Um dos projetos internacionais anunciados pelo Museu Vaticano é trazer uma exposição a Lisboa por ocasião da visita do Papa Francisco a Fátima, em Maio. Já marquei na agenda.

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