Opinião

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2016 – Incertezas perigosas

O ano de 2016 está marcado por inúmeras incertezas. Refiro apenas três: a governabilidade, a paz e o bem estar. A governabilidade está a agravar-se devido à proliferação de forças políticas e à insuficiência de diálogo cooperante entre elas. A paz acha-se gravemente comprometida pelas dezenas de guerras, em vários países, e pelos extremismos, religiosos ou não, aflorados nos artigos anteriores. O bem estar dos portugueses vem decrescendo nos últimos anos, e nada garante que venha a crescer de maneira consistente e generalizada; hoje, como no passado, oscilamos entre os riscos da «bancarrota» e da «austeridade», sem acordos para se evitarem.
Existe uma alta probabilidade de serem irreversíveis, no curto prazo, as tendências para a ingovernabilidade, a violência e a degradação económico-social, devido, pelo menos, a duas causas: a enorme dificuldade de solução dos problemas político-sociais; e a presunção irracional de que tudo se pode resolver sem cooperação político-social. Raro é o dia em que pessoas «credenciadas» não condenam decisões políticas e a falta delas; mas também raro é o dia em que formulam propostas de solução fundamentadas e viáveis. À semelhança de crianças ingénuas, dão a entender que, se fossem governantes, disporiam de um poder e financiamento infinitos para vencerem todos os obstáculos.
Entretanto, o Papa Francisco, na sua mensagem para o dia da paz – 1 de janeiro – alertou-nos, uma vez mais, para o risco de «uma terceira guerra mundial por pedaços» (nº. 2); e lembrou a referência feita, na mensagem de 2015, à violência de Caim contra o seu irmão Abel (nº. 5). O que, hoje em dia, se torna imperioso é que não sejamos «Caim» em relação a outras pessoas, outras forças políticas, outros povos, outras religiões… Convém que, aos desejos de bom ano, acrescentemos o nosso contributo para que ele melhore em cada momento.

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