“A Benedita é uma paróquia palpitante e cheia de vida”

Foto por Sara Susano

PERFIL

Nome: Gianfranco Ventura Bianco
Data de nascimento: 2 de outubro de 1972
Naturalidade: Alemanha
Data de ordenação como Padre: 5 de julho de 1998

ORA DIGA LÁ…

Uma figura: Papa João Paulo II
Um livro: A Bíblia
Uma música: “É difícil. Gosto de muitos estilos de música, dependendo do estado de espírito. Não consigo escolher nenhuma”
Um filme: ‘A Paixão de Cristo’

// sara susano texto|foto

Quem é Gianfranco Bianco?
Um peregrino. Sou alguém que se pôs a caminhar e com quem Deus também se pôs a caminhar. Aliás, Ele está a fazer comigo este caminho.

Porque escolheu ser padre?
Não fui eu que escolhi. Foi o Senhor que me escolheu e eu aceitei.

Qual o seu percurso até aqui?
Trabalhei como seminarista na paróquia de Moscavide e também trabalhei no pré-seminário. Quando fui ordenado trabalhei três anos nas paróquias de Camarate e Apelação, junto ao aeroporto; foi ali a minha primeira missão como coadjutor. Em 2001, fui para Atouguia da Baleia, onde permaneci como pároco e também capelão do Hospital de Peniche. No ano passado, fui vigário de Caldas da Rainha e este ano vim nomeado aqui para a Benedita.

As paróquias por onde passou deixam saudades?
Sim, muitas. O povo tem uma expressão muito gira que diz que “quem não sente, não é filho de boa gente” e eu penso que o sentir, o estar e o caminhar com as pessoas, foi muito enriquecedor porque aprendi, partilhei e vivi muito com elas.

O que significa para si ser pároco?
Ser pároco é ajudar os outros a caminhar em comunhão. Eu gosto muito de uma definição de Santo Agostinho que diz: “para vós sou Bispo, mas convosco sou irmão”. O pároco é alguém a quem o Senhor confia uma missão de conduzir, mas que não deixa de ser peregrino. O caminho não se faz sozinho. Faz-se com o povo e portanto inserido dentro dele. Ser pároco é ser este homem que vai à frente iluminado pelo Senhor a conduzir e a fazer esse caminho com o Senhor.

Como está a ser este primeiro período na paróquia da Benedita e o que espera para ela?
Está a ser muito engraçado. Territorialmente e geograficamente ainda não a conheço totalmente. Quanto à «geografia humana», que é aquela pela qual eu venho para cá, tem sido muito interessante. Esta é uma paróquia com muita vida, muitos jovens, muitas crianças, muitas famílias e, portanto, estou numa fase de conhecimento. É uma paróquia palpitante, cheia de vida e vejo que há aqui muitas experiências a explorar e a estabelecer com as pessoas. Espero entrar na vontade do Senhor com eles.

O que é que sente que a comunidade pede de um padre hoje?
Presença, ou seja, acompanhamento, vejo que as pessoas têm muita necessidade de se encontrarem. Uma comunidade espera muito que o sacerdote seja um sinal da presença de Deus, tanto a nível dos sacramentos, como é normal, como também a nível da palavra e do acompanhamento pessoal, da partilha em termos da palavra que vai catequizando.

O que pode interferir na recetividade ou respeito por si por parte da população?
Há uma coisa que pode sempre interferir, mas isso tanto é aqui como em qualquer outro lugar, que é as pessoas fecharem o coração. Mas, desde que as pessoas tenham vontade e abram o coração na confiança, penso que as dificuldades se vão anulando.
Quais as suas principais preocupações e esperanças relativamente à Igreja?
As expetativas que tenho é que a Igreja seja sempre sinal e fermento de Deus entre os homens; construção desta cidade santa cá na Terra – que é comunhão, estabelecendo pontes entre as pessoas e, assim, desafio de cada dia. Espero que a Igreja seja um sinal de comunhão e da presença de Deus.

O Papa Francisco tem defendido uma Igreja pobre e próxima das pessoas. É isso que falta à Igreja hoje?
Também. Pobre não quer dizer miserável. Quer dizer que estamos no mundo mas que não estamos presos às coisas do mundo. Somos administradores dos bens e não donos deles. Quando isto está claro, a Igreja aparece como uma Igreja pobre, simples em que as pessoas facilmente também partilham e ajudam o seu próximo. Quando estamos com o coração fechado, o egoísmo torna-se extremamente grande na sociedade.

A fuga dos jovens da Igreja preocupa-o?
Não sei se há assim tanta fuga. Não há nenhum encontro mundial que congregue tantos jovens como a Igreja neste momento com as Jornadas Mundiais da Juventude. Penso é que há muitos jovens, muita gente no geral, que não conhecem Cristo e é desses que nós temos que ir à procura. É um desafio que se nos coloca a todos.

Com a presente crise de vocações, o que faz hoje um jovem escolher a vida religiosa?
É ter-se encontrado com Cristo. Quando nós nos encontramos com Cristo, ou melhor, quando Ele nos encontra e nós nos deixamos encontrar por Ele, coloca-nos desafios e faz-nos experimentar o que é a essência da vida.

Que mensagem final gostaria de deixar aos leitores?
Gostaria de saudar a todos de um modo muito particular sobretudo aqueles que procuram também ser uma testemunha na vida dos outros e um sinal de esperança. Vale a pena caminhar com os outros; em conjunto. Que ninguém feche o seu coração. Vivemos tempos difíceis a todos os níveis, mas penso que é um tempo de esperança. É um tempo em que vale a pena voltar a sonhar. Precisamos de todos e eu também gostaria de contar com todos. E que todos também possam contar comigo.

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