Hoje, as botas de elástico são mais modernas, mais confortáveis e mais caras, existindo modelos coloridos mais sofisticados para senhoras. As antigas, mais rurais e mais genuínas, eram feitas na Benedita Lembro-me da oficina do Joaquim Patareco, onde as botas eram feitas por três ou quatro sapateiros, verdadeiros artistas. Aquela velha oficina seria hoje um verdadeiro museu ao vivo, num caos organizado. Lembro-me das pomadas, do linhol, das pelicas, das solas, das formas, da tenaz, do ferro de brunir, dos velhos bancos de sapateiros, do tripé, das lixas, dos famosos aventais de couro. Enfim, todo um mundo semântico perfeito do chamado calçado grosso. Depois, as botas de elástico eram vendidas nas feiras e mercados, nomeadamente: Peniche, Bombarral, Alcanede, Alcoentre, Caldas da Rainha, Coruche, Cartaxo, Santarém, Rio Maior, Marinhais, Manique do Intendente e muitos outros, quase sempre mais a Sul.
Estas botas foram o verdadeiro embrião da moderna indústria da Benedita.