“A certa altura, pensei que íamos ser campeãs mundiais”

Foto por Sara Susano

Uma entrevista a três. As hoquistas, do Hóquei Clube de Turquel, representaram a seleção nacional no campeonato do mundo.

Como foi, com apenas 16 anos, defender a baliza da seleção no campeonato do mundo?
Alice Vicente (AV): Acho que é uma recompensa muito grande pelo trabalho que desenvolvemos aqui no clube e sem dúvida que é uma sensação muito reconfortante e recompensadora.  Representar a seleção, representar Portugal é algo único. Ainda para mais na categoria sénior, com apenas 16 anos, é algo inexplicável.

A Rute e a sua irmã foram as primeiras gémeas na seleção. Fizeram história?
Rute Lopes (RuL): É sempre bom representar a seleção nacional, então quando vamos as duas, ainda é melhor porque temos o apoio uma da outra. E, como já jogamos há muito tempo juntas, uma já sabe o que a outra está a pensar fazer quando a situação está apertada. Jogamos no mesmo clube, treinamos juntas, fazemos tudo juntas e irmos as duas é muito bom. Ir uma já é bom, as duas então é uma situação muito melhor .

Marcou um golo contra a equipa, até então, campeã do mundo, a Argentina. O que sentiu?
Rita Lopes (RiL): Senti-me bastante bem porque eram, até ao momento, as campeãs do mundo e ao marcar aquele golo, tirámos um peso de cima dos ombros.  O jogo estava muito apertado, estávamos a sentir muita pressão e aquele golo deu para relaxar, para descontrair até ao final. Só tivemos que segurar o resultado. Nesse momento, senti-me muito feliz porque a minha irmã tinha marcado o outro golo e tínhamos as duas feito com que Portugal chegasse às meias finais contra a Espanha.

Acha que foi justa a eliminação contra a Espanha?
AV: Acho que o jogo contra a Espanha foi o melhor jogo que fizemos em todo o mundial, conseguimos jogar muito bem em equipa e atirámos bastante bem. Acho que tivemos um bocado de falta de sorte, mas conseguimos mostrar o nosso nível. Muita gente lá falou desse jogo como se tivesse sido a final e realmente parecia a final. E achamos que a nível de arbitragem foi um pouco injusto.

Chegou a acreditar que Portugal poderia trazer o título de campeão mundial do Brasil?
RuL: Quando estávamos a jogar contra a Espanha, pensei que íamos ganhar. Não estávamos a dominar, mas estávamos a conseguir jogar de igual para igual e estávamos a criar muitas situações. Quando estávamos a ganhar, pensei que íamos à final e as equipas da final supostamente eram mais fracas que a Espanha. A certa altura, pensei que se calhar íamos conseguir ser campeãs mundiais, mas depois, devido ao desenrolar do jogo, as infelicidades cortaram-nos ali as perninhas. Depois, tentámos lutar pelo terceiro lugar, mas nesse jogo, jogamos mal, acusámos pressão e não conseguimos. O nosso treinador tinha-nos dito que a Espanha era muito forte e que tínhamos de jogar muito bem para lhes ganhar. Quando estivemos a ganhar à Espanha, ele achou que era possível porque estávamos a jogar mesmo bem. Ele acreditava que conseguíamos mas era muito complicado. Ele ficou admirado por termos feito um jogo tão bom e não termos acusado pressão nem nervosismo contra aquela equipa. Jogámos mesmo bem.

Como foi a estreia na seleção?
RiL: É um orgulho enorme ainda por cima num campeonato do mundo em que estão as melhores equipas e as melhores jogadoras do mundo a tentar mostrar o seu melhor. É uma sensação inesquecível, única e se calhar foi o melhor momento da minha vida e da minha carreira. Se for chamada a mais estágios, talvez corram melhor mas este foi mesmo muito bom. Até agora foi o meu melhor momento.

Qual foi o melhor momento neste campeonato do mundo?
AV- Tal como a Rita e a Rute, isto foi uma experiência inesquecível e irrepetível. Esta primeira vez foi muito importante e ser logo titular acho que foi algo que também foi inesperado mas sem dúvida que me marcou muito. O jogo contra a França foi um jogo em que fomos alvo de muita pressão, fomos a prolongamento e depois a penaltis e apesar de ser só ainda a fase de grupos foi algo muito intenso. Mas para além disso outra coisa que nos marca muito são as relações que nos estabelecemos entre a nossa equipa e mesmo com as jogadoras de outras equipas. Acho que foi algo de extraordinário. Em termos de equipa acho que conseguimos todas relacionar-nos bem.

Seis atletas faziam a estreia na seleção e neste tipo de competições. Tendo isso em conta, o 4º lugar e um bom resultado?
RuL- Sim, acho que é um bom resultado. Eram seis novas; nunca tínhamos jogado juntas; tivemos que, num mês, aprender a jogar umas com as outras e adaptar-nos ao jogo de cada uma porque vínhamos todas de equipas diferentes. Uma delas até joga num clube em França e então tivemos que nos adaptar em apenas três semanas de trabalho. Termos conseguido um quarto lugar foi muito bom tendo em conta a pouca experiência competitiva. Só tínhamos quatro jogadoras que já tinham estado em mais campeonatos e então tínhamos pouca experiência a esse nível e portanto acho que o 4º lugar foi um lugar muito bom para o nosso grupo de trabalho.

Tendo em conta que a equipa era muito jovem em media de idades, o futuro da seleção nacional está garantido?
RiL- Eu acho que o futuro da seleção nacional vai ser muito promissor porque as atletas novas que neste momento vão à seleção e não só, estão a mostrar um bom nível de trabalho e isso foi demonstrado durante este campeonato do mundo com uma seleção praticamente sub 20. Conseguimos ficar em 4º lugar no meio de jogadoras que já tinham experiência de vários campeonatos. Acho que isto é um sinal de que para os próximos campeonatos estes resultados possam ser melhorados a vários níveis.

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