São mais que muitas as ferramentas que, como humanidade, criámos para facilitar e otimizar os nossos trabalhos. Mas claro que com conta, peso e medida, como o nosso povo gosta de afirmar. Esta semana, fizeram-me uma questão: “Padre Tiago, alguma vez utilizou a inteligência artificial para lhe escrever a homilia do Domingo seguinte?” Depressa respondi que não. Na verdade, considero que a inteligência artificial tem um valor imenso para podermos crescer no conhecimento geral das coisas. Mas ela não pode substituir o empenho, a criatividade, o trabalho humanos. Para mim, dá-me um gozo imenso a possibilidade de preparar tranquilamente a palavra que dirijo aos fiéis. Começo por me confiar nas mãos do Espírito Santo, para que seja Ele a falar em mim. Depois, leio a Palavra de Deus. Leio repetidamente para a refletir e interiorizar. De seguida, medito nos desafios que essa palavra me coloca a mim. Preparo a partir daí as interpelações que dirigirei a todos. Por vezes, sinto a necessidade de envolver esta mensagem com uma história que ajude os outros a entendê-la melhor. Gosto especialmente de dar o meu próprio testemunho. Pois não é uma palavra morta no tempo que sou chamado a anunciar, mas uma palavra viva e constantemente atuante. Recuso dispensar-me de todo este trabalho, que tão bem me faz. Para isto, também nos chama à atenção o Santo Padre na sua mensagem para o 60º dia das comunicações sociais. Ou seja, ao pouparmo-nos ao exercício do nosso pensamento, “corremos o risco de deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e comunicativas.” Recorro à inteligência artificial se porventura procuro referências a propósito da história de Israel, com o intuito de entender mais a fundo a palavra que recebi. Ou quando procuro outras passagens bíblicas que tenham conexão com aquela na qual me centrei. Mas nunca fazer o trabalho todo por mim.
Deste modo, usemos com responsabilidade as ferramentas que a vida nos dá. E que sejamos corajosos para enriquecermos a realidade com os nossos talentos.
Leia o artigo de opinião na edição de 29 de janeiro de 2026




























