Lapa, solapa, furna (e fórnea), gruta, caverna, cova e algar. Todas estas designações servem para caracterizar um tipo de paisagem cársica que despertou interesse de diversos investigadores nos inícios da arqueologia portuguesa, por volta de 1860. As intervenções em gruta em Alcobaça, ocorrem em dois períodos distintos, com um hiato temporal de cerca de 70 anos: um entre 1880 e 1909 e outro a partir de 1978 até 2022, sensivelmente. Aqui actuaram Possidónio da Silva, Carlos Ribeiro, Paul Choffat, José Diogo Ribeiro, Victor Gonçalves, Carlos Mendonça, investigadores da ADEPA e João Tereso, mas cabe a Manuel Vieira Natividade a projecção da arqueologia alcobacense até à actualidade. Sem dúvida que o legado deixado por Manuel Vieira Natividade impactou não só a região de Alcobaça, mas também toda a arqueologia nacional da época em que viveu.
O núcleo cársico do vale do Carvalhal de Aljubarrota, constitui o segundo grupo de grutas a ser intervencionado em território nacional. Reconhecendo Natividade cerca de 42 cavidades, das quais, destaca o potencial de 16.
É nestas grutas que surgem e se observam pela primeira vez, algumas tipologias artefactuais que integram actualmente a maioria dos conjuntos conhecidos. Manuel Vieira Natividade pretendeu, desde sempre, reconstituir a Província Arqueológica de Alcobaça e o homem que nela habitou, com base nos achados por si identificados. Conhecer as nossas origens e tradições é um impulso que nos acompanha de forma quase instintiva. Foi esse também o motor que, já em 1880, levou Manuel Vieira Natividade a explorar as grutas do vale do Carvalhal, em Aljubarrota. As realidades conhecidas actualmente, são ainda uma amostra reduzida dos variados tipos de contextos escondidos debaixo dos nossos pés.
Mais de um século depois, o legado das suas descobertas continua vivo, mas longe de estar completo.