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A máscara

Uma das candidatas a palavra do ano é MÁSCARA. Não deixa de ser curioso haver uma certa similitude entre as palavras MÁSCARA e LÍNGUA. Já na Grécia Antiga, o célebre criador de fábulas, Esopo, definia a língua como a melhor coisa do mundo. E justificava: com a língua podemos orar, podemos enaltecer as virtudes alheias, dizer bem, podemos proclamar a paz. Perguntado sobre qual seria então a pior coisa do mundo, Esopo respondeu: é a língua. Com a língua podemos blasfemar, denegrir e destruir mesmo o caráter de uma pessoa, mal dizer e amaldiçoar tudo e todos. Com a máscara acontece algo de semelhante: com a boca e parte da cara tapada, tanto se pode esconder um sorriso de felicidade e um sinal de amizade, como dissimular um esgar de rancor e um trejeito de raiva. É certo que a máscara não tapa os olhos, valha-nos isso. Não obstante, há filósofos a verberar o seu uso, alegando que tudo o que somos, parecemos e dizemos se funda no rosto. O que leva o cardeal José Tolentino Mendonça a concluir: “Se não podemos não usar máscara, não nos esqueçamos, no entanto, do que significa um rosto. E tantos não esquecem”.
A propósito, o cardeal Tolentino de Mendonça, sob a rubrica “Que coisa são as nuvens”, (neste jornal, eu uso “Sol na Eira”) brinda-nos todas as semanas, na Revista do Expresso, com conceitos e opiniões ricas de conteúdo humano, social, filosófico, teológico. Imperdível! Num dos seus últimos escritos, também ele se referiu à MÁSCARA, e, valendo-se de uma obra do teólogo Pier Angelo Sequeri, insiste na persistência do rosto e conclui assim: “Uma paciente que passou um longo e sofrido internamento devido à Ccovid-19, ao despedir-se dos médicos e enfermeiros, disse: ‘Quando vos encontrar de novo, não serei capaz de recordar distintamente os vossos rostos, mas reconhecerei infalivelmente os vossos olhos’“.

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