Opinião

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A quem incomodam os achados arqueológicos do parque verde?

Os achados arqueológicos do Parque Verde estão na ordem do dia. Depois de os ter ocultado à vereação e à população durante semanas, a câmara preparava-se sorrateiramente para tapar e avançar a “todo gás” com o Parque Verde, por não ter mais nada que possa abonar o seu actual mandato.
Todavia, quando a população se apercebeu desta manobra, o Presidente da Câmara recuou e transformou-se no “grande defensor” dos achados para evitar males maiores perante a sua “depauperada” imagem pública. Perante os órgãos de comunicação social reconhece grande valor aos achados, internamente não é tão firme na intenção de os investigar. Em que ficamos Sr. Presidente?
Na realidade, está tudo por definir. A Câmara não sabe como lidar com a situação, está mais tentada a tapar os achados, para concluir o Parque e, talvez, depois um dia, investigar. No entanto, mostra receio das consequências devastadoras que tal decisão vai ter junto da população.
Os achados apontam para um Mausoléu do período tardo-romano muito raro na península ibérica e, por isso, com uma relevância histórica e científica enorme.
Depois do Presidente da Câmara ter rotulado de “demagogos” e “populistas” quem defendia o estudo prévio, vieram reputados académicos defender a importância de investigar os achados arqueológicos do período romano, no imediato! Repondo a ordem natural das coisas.
Na última reunião de câmara, procurou-se tecnicamente defender que o melhor é tapar, para concluir o parque e depois estudar!
A minha posição é inequívoca. Não pactuo com o tapar ou encobrir a estrutura para mais tarde estudar. Não contam com o meu voto para essa decisão.
Defendo inequivocamente, a delimitação de uma área de protecção dos achados. Só aceito o avanço das obras do parque se acontecerem em simultâneo com as escavações e o estudo cientifico dos achados.
Então, Sr. Presidente da Câmara, considera admissível gastar alguns milhões de euros na construção de um parque verde com as necessárias infraestruturas, para depois destruir o que foi construído? Será esta a forma mais correta de gerir os dinheiros públicos? A minha resposta é e será: Não! Não contribuo para a má gestão dos dinheiros públicos!
Para mim, o interesse público e o legado histórico está a acima de qualquer outro tipo de interesses sejam de que natureza for.
Mesmo que seja o único vereador a defender esta posição, garanto que não mudo de campo. Cada um que assuma as suas responsabilidades!

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