Opinião

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A trapalhada das freguesias

“A fusão de freguesias, na província, foi feita a régua e esquadro, de forma completamente estúpida.” Era assim que eu pretendia começar este artigo. Afinal, alguém se antecipou, proferindo esta afirmação na passada semana, num programa televisivo. Nada mais nada menos do que o social democrata António Capucho. E assim, duma penada, Capucho “roubou-me” a ideia, e este modesto articulista d’O Alcoa não pode “brilhar”.
Enfim, que mais posso acrescentar? Que “a lei das freguesias é patética?” Que “foi feita em cima do joelho?” Que “não há direito de se fazer a reforma das freguesias sem a ligar à reforma dos concelhos?” Pois é, tudo isto eu queria acrescentar, só que António Capucho antecipou-se, e eu limito-me, agora, a citar o que ele disse. Repito: que posso acrescentar? Talvez, seguindo ainda a ideia de Capucho, dizer que nos grandes meios urbanos a questão é menos sensível. Não obstante se tratar de uma insofismável verdade, nem por isso o autarca de Lisboa, António Costa, deixou de abordar o problema com tempo e com cuidado, negociando a fusão das freguesias na capital durante três anos. E temos agora cerca de metade das freguesias, sem custos humanos e sem conflitos. Como testemunho, posso referir que recebi, há mais de um ano, na minha casa de Lisboa, um documento que projetava a fusão da minha freguesia (Alto do Pina) com a vizinha S. João de Deus, pedindo a minha opinião. É assim que se faz, e não em cima do joelho. Na província, onde esta reorganização é mais complexa, não se deve decidir com a régua e o esquadro, deve-se ter em conta o amor próprio de cada freguesia, a sua cultura, o seu passado, além dos aspetos ligados à interioridade e à desertificação. O concelho de Alcobaça nem foi dos mais violentados com esta medida. Mesmo assim, para além de Aljubarrota, em que parece evidente aglutinar as duas freguesias, os outros casos, Vestiaria/Alcobaça e Alpedriz/Montes/Cós são suficientemente polémicos para serem tratados de forma tão brutal. Reorganização administrativa é necessária, é útil, mas feita com pés e cabeça, envolvendo municípios e freguesias. Assim, não.

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