Alcobaça merece um mercado todos os dias

Isabel Fonseca
Contabilista Certificada

Em Alcobaça o mercado funciona sobretudo ao sábado e à segunda. Dois dias que sabem a pouco para a riqueza que temos para mostrar. É o suficiente para cumprir calendário, mas insuficiente para afirmar identidade. E este é o ponto central: queremos um mercado que apenas exista, ou um mercado que represente quem somos? A agricultura é o pulmão do nosso concelho. Temos hortas vivas, produtores que resistem à incerteza do clima, fruta que é bandeira nacional, vinho que merece ser brindado, doces conventuais reconhecidos e licores que sabem a tradição. Temos artesãos, músicos, criadores. Temos tudo, falta apenas dar-lhe casa todos os dias. O Mercado Municipal pode ser essa casa. Um espaço de compra prática, sim, mas também de descoberta constante. Um lugar onde famílias passem a manhã, onde turistas encontrem a essência do território, onde o cheirinho da maçã se mistura com o aroma do pão e o toque das mãos que moldam o barro. Não falo de utopia, falo de visão política, de desenvolvimento económico inteligente, de turismo que se faz com autenticidade.
Imaginemos o mercado de terça a domingo, com uma zona de refeições feita com produtos locais, uma mesa de provas com vinho da região, licor que aquece, fruta cortada e fresca. Um balcão onde se prova queijo com doce de abóbora, um atelier onde um artesão ensina, uma banca onde uma avó mostra como se amassa broa. Imaginemos crianças a plantar ervas aromáticas, visitantes a comprar cabazes “Sabores de Alcobaça”, showcookings simples, música ao vivo, rota de doces, enfim…tanto para explorar.
Um mercado vivo não beneficia apenas quem lá vende, mas todo o tecido comercial do centro. Um visitante que vai ao mercado toma café no comércio tradicional, almoça num restaurante local, compra numa loja de artesanato, entra numa papelaria, numa farmácia, numa boutique. Um mercado diário cria fluxo, atrai pessoas, redistribui economia e revitaliza ruas. É âncora e motor, capaz de combater a desertificação comercial e dar novo fôlego às lojas históricas.
Para isso, é preciso decisão. Política, estratégica, assumida. Um calendário mensal com produtos em destaque, rotinas que tragam vida e economia, parcerias com escolas, alojamentos, museus e restaurantes. O mercado pode ser ponto de encontro para famílias, quem chega ao centro tem onde comer, aprender, provar, comprar. Pode ser espaço turístico onde cada viajante leva um pedaço da nossa terra no paladar e na memória.
Não se trata apenas de abrir portas mais dias. Trata-se de abrir a alma de Alcobaça ao mundo. Dois dias por semana não chegam para honrar a nossa história agrícola; um mercado vivo e diário pode marcar o futuro. Porque Alcobaça não é só Mosteiro, é terra, é vinho, é maçã, é mel, é doçaria, é licor, é arte, é comércio que resiste e merece prosperar.
É tempo de agir, transformarprojectos em ações. O Mercado Municipal pode ser o símbolo da mudança. Um coração que bate todos os dias. Um futuro que se constrói com paixão e ação.

Isabel Fonseca
Contabilista Certificada

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