Todos precisamos de parar de vez em quando. Todos os dias um pouco, para o encontro com Deus e connosco próprios. Para não nos esquecermos de quem somos e de quem Deus é. E para que tudo quanto vivamos seja como que um presente para lhe oferecer. Mas por vezes é necessário mais do que alguns minutos. É essencial que sejam vários dias.
Não é por acaso que a Igreja propõe que todos os padres tenham o seu retiro de silêncio anualmente, por cinco dias. Só eu próprio e Deus. Neste ano, tudo foi um pouco diferente. Fui interpelado por um colega a fazê-lo na casa de retiros das irmãs Monjas de Belém. Uma comunidade de clausura que tem o seu mosteiro na zona de Coruche. Dedicam-se à oração por todos nós. Pela paz nos nossos dias. Pelo futuro das nações. Pela ação da Igreja hoje. Por tudo quanto há-de melhor e de mais importante. Não calculamos o incrível poder que tem a oração. E, se pedimos com o coração cheio do amor de Deus, sabemos logo à partida que a nossa voz chega longe. Estive por lá entre os dias 2 e 6 de março. O silêncio ia sendo quebrado pela Eucaristia diária e pelas orações da Liturgia das Horas, que as irmãs rezavam, cantando. Depois, seguia cada uma para o seu espaço e eu continuava a minha oração fixando os olhos no Sacrário. Questionava: como é que Tu, Jesus, me vez hoje? Que tens Tu a dizer sobre mim? O que é que há-de bom? E de mau? O que é que tenho eu hoje a fazer? Um tempo iluminador e essencial. Pensava: quão importante é este silêncio! A Igreja precisa mesmo de gente que siga a vocação contemplativa. Que se dedique à oração por todos. As irmãs Monjas de Belém e tantos outros e outras são a retaguarda da Igreja. Nós que estamos no terreno precisamos de quem nos proteja e vele por nós.
Voltei a Alcobaça de coração cheio e com vontade de pôr mãos à obra. É hora de responder a tudo quanto ali escutei. Afinal, são urgentes em nós estes momentos de paragem.
Leia o artigo na edição de 12 de março de 2026




























