Clementina Henriques. “Represento uma equipa de gente séria”

PERFIL

Nome: Maria Clementina Morgado Henriques

Idade: 73 anos

Naturalidade: Albergaria, Juncal, Porto de Mós

Formação académica: mestre em Economia e Política Social

Atividade profissional: docente universitária aposentada Lema de vida: “A minha felicidade emerge da alegria que reflete o olhar do meu amigo!”

Porque se candidata e que capacidades a diferenciam? Como responde aos que veem uma candidatura comunista como radical, de extrema-esquerda, contra a iniciativa privada e a liberdade individual?

A minha candidatura emerge de uma vontade consciente de aplicar, no concelho que escolhi como meu, os conhecimentos que ao longo dos anos fui adquirindo e que podem produzir a mudança necessária para que tenhamos um concelho atrativo, desenvolvido, onde as pessoas sejam a prioridade. Tenho formação em economia, sociologia e políticas sociais, tenho experiência em investigação em modelos de desenvolvimento e quero, com uma equipa de características plurais, executá-los em Alcobaça.

Não penso que nos nossos dias as pessoas, de boa-fé e esclarecidas, vejam na minha candidatura um projeto radical, e muito menos a assumam restritiva da iniciativa privada ou da liberdade individual. As pessoas sabem que fui empresária, que estou ligada a uma Confederação Empresarial, conhecem as minhas propostas em defesa dos Micro, Pequenos e Médios Empresários, quer em medidas de âmbito local, quer a nível de políticas de âmbito central. Não defendemos as Grandes Empresas, dada a sua natureza exploradora e de concentração de capital, cuja apropriação individual cria profundas diferenças, tanto ao nível do tecido produtivo como das populações. Quanto à liberdade individual, é conhecido o meu empenho no estímulo à aquisição de competências, à formação, à cultura, ao conhecimento. Quem defende e promove estes valores e estas práticas de inclusão, não restringe a liberdade, mas promove-a!

Quais as suas prioridades?

Uma das prioridades, radica na definição de uma nova matriz de governação, descentralizada e participativa. O envolvimento da população é determinante para a inventariação de necessidades e construção de respostas que materializam políticas públicas a pensar nas populações.

Como contrariar a perda de habitantes? Como tornar o concelho mais atrativo e competitivo?

A perda de habitantes, nos últimos anos, é fruto de políticas que não têm em atenção os supremos interesses das populações. Têm sido desmotivadoras e sem objetivos. O desemprego e a falta de perspetivas, levam as famílias a procurar alternativas fora do concelho. As insuficientes respostas ao emprego e à habitação a preços comportáveis, consubstanciam razões do abandono. É preciso disseminar a MARCA ALCOBAÇA, criar condições de dinamização da atividade produtiva, sustentada nos vários sectores de atividade, atrair empresas e dar-lhes condições logísticas, de mobilidade e funcionais, para a sua fixação. Assim haverá  promoção de  emprego, com direitos. É preciso criar sinergias, valorizar o que existe e inovar em áreas de valor acrescentado, agilizando procedimentos e apoiando a criatividade. É preciso trabalhar as representações sociais do emprego de modo a elevar a autoestima, alargar as sociabilidades e ver no trabalho um lugar de realização pessoal, independentemente da atividade que se desempenha!

O que faria no âmbito do património, agora com o Mosteiro de Alcobaça na lista da UNESCO de Património Mundial em Risco, com as obras em curso para instalação do hotel?

A manutenção do património é um princípio de preservação de memórias e identidades, pelo que será uma linha de intervenção continuada da CDU. Quanto ao Mosteiro, é uma matéria que a CDU tem acompanhado com muita preocupação, levando-nos a questionar o executivo camarário sobre este mesmo risco, que não é uma miragem. O Mosteiro de Alcobaça foi incluído no mais recente Relatório Mundial sobre Monumentos e Sítios em Perigo, publicado em 2020. A instalação do hotel em espaço pertencente ao Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, consubstancia um dos casos citados que sustenta os alertas de risco, baseados sobretudo na falta de observação das diretrizes da Convenção do Património Mundial. Esses  dados   constam do ‘Relatório do Património Mundial em Risco 2016-2019’, do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS). É preciso reverter as causas já identificadas, salvaguardando a fruição pública de alguns espaços e a reconversão de algumas áreas que não respeitam as recomendações. A CDU, tal como tem feito nos órgãos em que está eleita, pugnará pelo respeito das recomendações plasmadas no Relatório ICOMOS, para a necessidade de uma avaliação mais detalhada do estado de conservação dos monumentos e sítios, do mesmo modo que procurará que os custos da requalificação da zona envolvente não recaiam, unicamente, na alçada do Município.

O que faria para a comunidade católica de Alcobaça ter, como dita a lei, afetação permanente ao culto e acesso ao Mosteiro, que é hoje a Igreja Paroquial, depois de três igrejas mandadas demolir no séc. XX?

Sendo Portugal um estado laico, não compete ao poder político qualquer ingerência na ação da comunidade católica, ou de outros credos,  seja nas práticas, seja na gestão do seu património. O Mosteiro de Alcobaça é um Monumento Nacional, Património da Unesco, sujeito a regras específicas, que têm de ser respeitadas, o que, a não acontecer, pode levar à perda dessa natureza. Porém, há a garantia da CDU pelo respeito de credos e práticas religiosas, ou de outra natureza, garantindo a liberdade que é devida às instituições e aos cidadãos, exigindo, do mesmo modo, igual respeito. Na nossa opinião, o facto de o Mosteiro de Alcobaça ser hoje a Igreja Paroquial da comunidade católica de Alcobaça, em nada retira a natureza pública, estatal, do Monumento, que o deve gerir.

Que repto tem a dirigir aos seus opositores?

Gostaria de saber que medidas de superação e adaptação às alterações climáticas, em processo de agravamento progressivo, se comprometem a concretizar, caso sejam eleitos?

Por que devem os eleitores votar em si?

Os eleitores devem dar-me a sua confiança através do seu voto, seguros que represento uma equipa de gente séria, competente e trabalhadora, com provas dadas em diversos sectores, empenhada em colocar as suas competências ao serviço de toda a população, independentemente de crenças, ideologias, níveis etários ou género. Uma equipa que ama Alcobaça, que a assume como a sua terra, e a quer promover. Iremos melhorar as acessibilidades, apostar na educação, na valorização dos artistas locais, na divulgação das artes, na cultura em termos integrais, no reforço  do tecido produtivo nos três sectores. Vamos recuperar e melhorar a habitação, com rendas acessíveis para jovens e famílias de baixos rendimentos, e promover a construção de bairros a custos controlados, devidamente geridos sob um modelo de gestão social adequado. A inclusão social, a interculturalidade, a intergeracionalidade e a salvaguarda do património serão constantes na nossa gestão. Devem votar em nós, sobretudo porque não prometemos impossíveis. Governaremos com rigor,  transparência e avaliação. Com a população, encontraremos as soluções.

Qual a primeira medida que tomaria como presidente da câmara?

Se é que se pode identificar uma primeira medida, ela seria a constituição de  um executivo competente, dedicado e  interessado em apropriar o nosso programa como ferramenta de gestão para intervir no concelho, de modo a desenvolvê-lo equitativamente e de modo sustentável, motivando, envolvendo e valorizando os trabalhadores do Município, peça chave para implementação das políticas.

A entrevista foi concedida por escrito.

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