Desenvolvimento Comunitário – segredos por desvendar

João Maurício
Professor de História aposentado

Antes de tudo, terei de dizer que a temática do Desenvolvimento Comunitário é um assunto mal estudado por várias razões. A principal será, sem dúvida, a falta de documentação sobre este tema. Essa realidade tem a ver com o facto de o D.C. não ter tido uma estrutura bem definida nem autonomia financeira e institucional. Ora, em termos de investigação histórica, os arquivos e os documentos são a base desse trabalho.
Conheci a Dra. Maria Júlia de Oliveira Laureano Santos há, seguramente, uns quinze anos, durante um almoço com membros do Centro de Estudos Riomaiorenses, entretanto extinto.
Aquela ilustre senhora disse-me, na altura, que fora uma das “pioneiras” do Desenvolvimento Comunitário que, no início dos anos sessenta do século passado, fez um excelente trabalho na Benedita. Disse-me, ainda, sabendo que eu colaborava na imprensa regional, que estaria disposta a fornecer-me dados sobre a sua atividade na Benedita, já lá vão mais de sessenta anos. Por razões várias, fui adiando essa conversa. Em boa hora, o engenheiro João Leitão Vinagre pressionou-me para que tal acontecesse, mas, infelizmente ele não pôde estar presente. Numa longa conversa de quase três horas, recebi um volume enorme de informação.
Agradeço à Dra. Júlia e ao seu marido, o Dr. Laureano Santos, a maneira afável e prestável como me receberam. Aprendi muito com o meu saudoso Professor Doutor António José Saraiva a ser seletivo na recolha de depoimentos orais. Acontece que eu tinha certeza de que a Dra. Júlia seria uma honrosa exceção. Tem uma prodigiosa memória, uma preparação técnica excelente, a que junta o facto de ter estado no terreno. Por isso, a informação recolhida foi de grande qualidade, cheia de detalhes, até agora desconhecidos por mim.
Por exemplo, a minha anfitriã foi peça fundamental no processo da criação da Cooperativa de Ensino da Benedita, tendo feito a ponte com o Ministro da Educação da época, Inocêncio Galvão Teles. Contrariando a teoria vigente, não foi o Desenvolvimento Comunitário que transformou a Benedita. Este programa, apenas “potenciou” essas transformações. O mesmo não foi obra, só, de grandes figuras, como a Dra. Manuela Silva, mas também de outras de relevo, como o Professor Pereira de Moura, o Padre Serrazina e os técnicos que trabalharam no “campo”, como foi o caso da Dra. Laureano Santos.
Vou, logo que possível, trabalhar os muitos apontamentos recolhidos e articulá-los. Aqui voltarei para revelar esses preciosos dados.
Obrigado, Dra. Júlia!

João Maurício
Professor de História aposentado

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