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Destino Universal dos Bens 2166

Este é o terceiro princípio fundamental da doutrina social da Igreja (DSI), depois da igual dignidade humana e do bem comum abordados em artigos anteriores (cf. «Compêndio da Doutrina Social da Igreja – CDSI – nºs. 171-184). Na versão mais antiga, ele diz-nos que os bens da terra se destinam a todas as pessoas, respeitando a igual dignidade de cada uma e salvaguardando o bem comum de todas, sem nenhuma exclusão. Ao longo da história da DSI, sempre se procurou conciliar o destino universal dos bens com o direito à propriedade privada; e atualmente assume-se que aquele destino universal precede este direito (cf. CDSI, 176-177 e «Evangelii Gaudium», do Papa Francisco, nºs. 188-189); ou, talvez melhor, o destino universal dos bens também se cumpre através da propriedade privada. E esta consiste no conjunto de bens de cada pessoa, família ou outra entidade que lhes proporciona sustentabilidade económico-financeira no presente e no futuro; bens como, por exemplo, o emprego, a empresa, a segurança social, o serviço nacional de saúde, seguros, terrenos, edifícios, títulos de participação em empresas…
Hoje defende-se, com toda a razão, que o destino universal dos bens abrange também a sustentabilidade do nosso planeta, inserido harmoniosamente em todo o universo. Isso foi consagrado há muito na DSI, mas tornou-se mais claro e abrangente na encíclica do Papa Francisco «Laudato Si`» – Sobre a Nossa Casa Comum. Indo mais longe, a encíclica associa a degradação do ambiente e do planeta em geral à gravidade dos problemas sociais. Por isso, convida a «ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres» (nº. 49).
Em suma: o destino universal dos bens deve beneficiar responsavelmente cada pessoa e família, toda a humanidade e toda a terra, contribuindo para a sustentabilidade ecológica e social.

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