Opinião

Banner_PauloErnesto

Dominar o tempo

Num mundo cada vez mais agitado, parece que apenas o tempo tem o dom de assumir o exclusivo das nossas decisões. O tempo pode ser definido como o que sentimos ocorrer entre um instante e outro, desenrolando-se de forma distinta nas diversas etapas do desenvolvimento: lentamente na infância e terceira idade, de forma veloz na idade adulta.
A cronobiologia permite-nos compreender as características temporais dos organismos. Esta ciência engloba o estudo dos ritmos biológicos, que oscilam em função do tempo, repetindo-se regularmente. Traz-nos ainda uma importante contribuição: a noção de variabilidade das funções biológicas ao longo das 24 horas do dia, que mostra, por exemplo, a variação do nosso desempenho cognitivo ao longo do dia e revela igualmente que tendemos a responder de forma diferente à mesma situação, conforme o momento do dia em que ela ocorra.
Depois das férias, de um modo geral, por mais que tenhamos uma agenda, planificações e tudo mais, acabamos por descobrir de forma imediata que não temos tempo. Vivemos sempre neste dilema embora, às vezes, de forma contraditória acabamos mesmo por “perder tempo”. Outros ainda utilizam uma expressão mais desconcertante: “matar o tempo”. Apesar de absurdo, acaba por ser curiosa a sensação de “matar o tempo”, pois quando a sentimos, é nesse momento que o tempo deixa de exercer uma certa tirania sobre nós.
Nas palavras de Fernando Pessoa, “o tempo é uma ilusão obstinadamente persistente” e, enquanto ilusão com mais ou menos participação da nossa parte, acaba por ser gerido por nós. Mas quando dependemos do tempo dos outros, não somos donos do nosso. Então só nos resta protestar, aquilo que por vezes todos fazemos e em que alguns se especializaram.
Não permita que o tempo preencha a sua agenda. Prefira viver a cultivar o que já é e a usufruir do que já tem. Dessa forma, o tempo acabará por ser uma “ilusão obstinadamente persistente”.

Outras notícias em Opinião