Opinião

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Editorial. Cumprir e exigir mais

A situação exige que responsáveis e cidadãos, no seu conjunto, façam melhor.
A Bélgica é o país do mundo com mais mortes de Covid-19 por milhão de habitantes. Os EUA, neste rácio, estão também em posição cimeira: o 12.º lugar. Parece indubitável que a ação dos responsáveis políticos destes países desenvolvidos teve impacto no elevado número de mortos.
Em Portugal, a situação agravou-se muito. Esta terça-feira, novo recorde diário de mortes por Covid-19: 218 pessoas. Se, nos EUA, a Covid-19 matasse tanto, em proporção aos seus 328 milhões de habitantes, o recorde diário deles – que é 4.491 óbitos registados a 12 de janeiro – seria 7.000 mortes num só dia.
Nós temos muitas carências entre a população e no sistema de saúde. O que faz muita diferença: Israel tem quase o mesmo número total de infetados de Portugal, mas cerca de metade do nosso total de óbitos.
Na região, a situação é também muito grave. Há surtos em lares de idosos e no próprio Hospital de Alcobaça. Faltou, desde o início, rastreio dos contágios e, anunciada a chegada de testes rápidos a Portugal, nunca foi aplicada nos serviços de saúde, junto dos funcionários de lares, nas escolas. São muitos os especialistas a dizer que as medidas atuais são tardias e insuficientes, e que as escolas deviam fechar. Neste momento, cá em casa, o meu filho tem aulas presenciais de desporto em Lisboa, partilha casa com colegas… Mantém-se deslocações e contactos… Esta semana, choveram mails de alunos meus em isolamento que não puderam vir ao exame. Os 2.º e 3.º segmentos etários com mais infetados são os jovens dos 18 aos 24 anos e dos 14 aos 17 anos. Assim, não se serve a saúde nem a economia.
É insubstituível o cuidado de cada um. Porém, face aos cidadãos, os governos têm responsabilidade acrescida. Em qualquer país e em Portugal também. A ação de qualquer responsável, de qualquer governo, beneficia de um escrutínio justo, mas rigoroso. Ser bom cidadão impõe cumprir as regras de segurança nesta pandemia. E, hoje e no futuro, ser mais exigente com os responsáveis políticos aos vários níveis. De contrário, estávamos, estamos e estaremos na cauda da Europa.

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