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Extraordinários. Rita e João Pedroso

Neste 2020, em cada edição, pessoas extraordinárias em algum aspeto da sua vida, com ligação à nossa região.

Num tempo em que temos de estar tão gratos aos profissionais de saúde, tenho-me lembrado, muitíssimas vezes, de dois exemplos extraordinários da nossa comunidade, ambos enfermeiros.
É raro um casal reunir duas pessoas tão especiais. Pessoas de fé, de serviço, de paz, de bem. De Deus. Em 1998, depois do seu inesperado falecimento, escrevi neste jornal algumas palavras da minha muita estima e admiração pelo Sr. João Pedroso. Tudo o que escrevi sobre dele, digo exatamente da esposa, a muito querida Senhora D. Rita Pedroso, uma mulher igualmente grandiosa. Repito para ambos:
“Deixamo-nos obrigatoriamente surpreender pela sua vida impregnada duma grandeza discreta, que é aquela que é mais verdadeira. Num tempo em que os nossos corações tão facilmente se deixam cativar pelos sorrisos do poder, seduzir com as maneiras doces do sucesso, ofuscar pela luz dourada da riqueza e do consumo, deslumbrar com os contornos insinuantes da beleza e da juventude; num tempo em que se valoriza tanto, nas palavras e nas atitudes, vencer, ter razão, defrontar, sobressair; o Sr. Pedroso, ao contrário, travou com arrojo e coragem e lucidez e muita oração o Bom Combate. Escolher servir os outros não apenas por profissão, mas por atitude de vida, dedicar-se com um espírito de sacrifício sem limites, pedir desculpa e perdoar de coração aberto, guardar silêncio perante as ofensas, saber escutar e dar atenção aos outros, visitar doentes e idosos nas tardes de Domingo, ser humilde e generoso, escolher deliberadamente o último lugar, sem aspirar ao que dá nas vistas ou rende proveitos pessoais; enfim, procurar viver no aqui e no agora os valores loucos do Evangelho é difícil e ousado. Foi assim que sempre o conheci. Fica a lição e a interpelação de um homem cuja vida foi uma linha recta em direcção a Deus e aos outros, comprometido e autêntico, sempre seguro nas suas opções, duma fé e entrega espantosas. Um Homem inteiro e, por isso, verdadeiramente grande”.

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