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Editorial. Extraordinários

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Neste 2020, em cada edição, uma pessoa extraordinária em algum aspeto da sua vida, com ligação à nossa região.

A minha madrinha, Elisa Redondo, que foi professora em Évora de Alcobaça, onde conheceu o meu tio, com quem veio a casar, faleceu há pouco, no dia do seu aniversário, aos 87 anos. Por ela começo esta série de editoriais não por ser minha madrinha, mas porque foi a pessoa que eu conheci que melhor pôs em prática aquele slogan da prevenção rodoviária: “o importante não é dar presentes, mas estar presente”. É claro que a minha madrinha me deu alguns presentes, mas aquilo que a tornava extraordinária era a sua capacidade de estar presente, a par dos seus afazeres familiares e profissionais. Quando fui operada à vista, nas várias consultas em Lisboa, os meus padrinhos não se limitavam a receber-nos na sua casa. A minha madrinha terminava as aulas e vinha de São Julião da Barra, caminhando até à estação, tomando o comboio e depois o autocarro, ao nosso encontro, ao consultório médico, para eu me distrair com a minha prima enquanto aguardava a consulta. Depois, levava-nos ao Grandela, para nós andarmos de escadas rolantes. E assim por diante, sempre paciente e dedicada a fazer-nos felizes. Sem palavras delicodoces, com gestos de amor. Já antes, o meu irmão tinha sido operado ao coração e esteve, de uma vez, 31 dias internado em Lisboa, fazendo ela 30 dias o mesmo trajeto de comboio e autocarro, com um estádio de futebol em cartolina para ele e o meu primo brincarem. Depois de o meu pai se ter separado da minha mãe, nada mudou: embora fossem tios paternos, a sua amizade aos sobrinhos e à minha mãe, sua cunhada, manteve-se tão presente como sempre.  Quando estudava em Lisboa e a visitava, lá tinha ela à minha espera os meus bombons favoritos. Era infalível o seu telefonema no meu dia de anos e, depois do meu casamento, à restante família. Quando aos 32 anos fui operada à coluna, lá estava a minha madrinha à minha chegada ao hospital. Muito lúcida e sempre com muito sentido de humor até ao fim, tive o privilégio de conversarmos horas antes da sua partida. Querida madrinha, muito obrigada pelo seu exemplo de vida!

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