Há momentos em que o jornalismo precisa de recordar porque existe. O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, assinalado a 3 de maio, é um desses momentos. Um dia em que o mundo se confronta com a violência dirigida a quem procura a verdade, com a desinformação que corrói a confiança pública e com o silêncio imposto a quem ousa perguntar. A este propósito, o Papa Leão XIV, evocando os jornalistas que perderam a vida no exercício da sua missão, sublinha que este direito é violado “de forma flagrante ou escondida”, lembrando que a verdade continua a ser um território frágil. Estas palavras revelam algo essencial: a liberdade de informar não é apenas um pilar da democracia, é uma forma de proteger quem mais facilmente fica invisível. E é aqui que a liberdade de imprensa se encontra com outra luta igualmente urgente: a da inclusão. A inclusão, tal como a verdade, não se cumpre sozinha. Não basta estar escrita na lei. Não basta ser proclamada em discursos. Precisa de ser vivida, garantida, defendida, todos os dias. E quando falha, quando não chega a todos, quando depende do contexto, da sorte ou da boa vontade, cabe ao jornalismo procurar acender uma luz. É o jornalismo que tem de perguntar onde estão os recursos, onde está a articulação, onde está a resposta. Uma missão que O ALCOA também procura abraçar.
Num tempo em que 129 profissionais da comunicação social foram assassinados no último ano, cada página impressa é um ato de resistência. E cada história que denuncia desigualdades é um ato de cidadania. A liberdade de imprensa não se celebra apenas com palavras, celebra-se com coragem. Com rigor. Com proximidade. Com a determinação de não deixar que o silêncio se instale onde deveria existir resposta.
Abrimos esta edição com essa certeza: a liberdade precisa de voz, a inclusão precisa de luz, e nós, os jornalistas e os jornais, continuaremos a acendê-la, página após página. Porque informar é proteger. E proteger é incluir.


























