“A paz esteja com todos vós.” A saudação que abre a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz de 2026, celebrado a 1 de janeiro, chega-nos como um convite e, ao mesmo tempo, como um diagnóstico. Vivemos com o coração armado, a mente acelerada, a vida em sobressalto. Carregamos preocupações como quem leva um gatilho sempre pronto a disparar. Por isso, a proposta de uma “paz desarmada e desarmante” não é apenas uma reflexão espiritual: é um caminho concreto para o ano que começa. Desarmada, porque assim foi a paz de Cristo, nascida numa história marcada por tensões políticas e sociais, mas vivida sem violência, sem imposição, sem medo. Desarmante, porque a bondade desarma, porque a fragilidade de um Deus que se faz criança continua a ser a resposta mais inesperada e mais necessária para um mundo que corre depressa demais. O Papa deseja que o Jubileu da Esperança produza em nós um “desarmamento do coração, da mente e da vida”. Talvez seja esse o primeiro compromisso de 2026: abrandar, respirar, reencontrar o essencial.
Neste início de ano, também O ALCOA renova o seu próprio compromisso. No dia 27 de dezembro, celebrámos 80 anos de vida, oito décadas de histórias, de rostos, de memórias que atravessam Alcobaça, Nazaré e toda a região. Num tempo em que a informação se fragmenta e se acelera, um jornal regional tem a responsabilidade e o privilégio de cultivar esperança e paz. Aquela que nasce do cuidado com as palavras, da atenção ao território, da escuta das pessoas. Que se constrói com rigor, proximidade e verdade. Entramos em 2026 com a consciência de que o mundo precisa de gestos desarmados e de presenças desarmantes. E com a certeza de que O ALCOA continuará a ser esse caminho: firme, atento, enraizado na vida da nossa terra. Que este novo ano nos encontre mais disponíveis para a esperança. E que a paz, essa paz que começa dentro possa finalmente ter lugar em cada um de nós.
Feliz 2026.
Leia o editorial na edição de 02 de janeiro de 2026




























