Editorial. Populismos regionais II

“O homem é o homem e a sua circunstância”, escreveu sabiamente Ortega y Gasset
Na 2.ª Guerra Mundial, a Finlândia, invadida pela Rússia, passou a lutar contra o seu invasor ao lado do exército de Hitler.
Nas regiões mais desfavorecidas, o 2.º candidato mais votado foi André Ventura. Sem naturalmente comparar André Ventura a Hitler, também muitos dos seus votantes não apoiam todas as suas ideias e menos o seu modo de as dizer, mas votam segundo as suas circunstâncias. Ao contrário de bandeiras da extrema-esquerda (direitos laborais, desigualdades), há problemas que muitos sofrem longe do Terreiro do Paço sem atenção nem solução dos partidos do “sistema”. É preciso avaliar o chamado “rendimento mínimo” (RSI), que, em alguns lugares, se perpetua na taxa de atribuição e na pobreza. Porém, dizê-lo é logo “fascismo”, sem debater melhoria dos programas sociais. Quem diz o RSI, diz a integração de minorias como a comunidade cigana, o garantismo da justiça, o orgulho da história nacional com luzes e sombras… O voto em Marcelo Rebelo de Sousa, ao reunir o grande centrão, não expressaria protesto. Assim, como Ricardo Araújo Pereira não se revê em ditaduras e vota no Partido Comunista contra as desigualdades, conheço vários que votaram em André Ventura e não são, já nem digo racistas ou fascistas, nem sequer populistas. Quiseram protestar. Contra a perceção de que têm de trabalhar e cumprir com os seus deveres e impostos e outros não, ou contra manutenção das desigualdades entre Lisboa e resto do país, conflitos de integração, casos da procuradora-geral da República, Tribunal de Contas e procurador europeu, injeção de “bazuca” na massa falida da TAP… A perceção de cumplicidade entre presidente e Governo, na pandemia ou face a atitudes que não havia antes no PS (má vontade contra privados dos ministros da Educação e da Saúde ou ideias como a destruição do Padrão dos Descobrimentos), conduziu a mais votos em Ventura a sul do concelho entre votantes de direita. Os representantes da democracia não podem considerar que há problemas que não se podem sequer discutir. Assim tem crescido o populismo lá fora e crescerá em Portugal e na região.

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