Opinião

Ele é um terrorista islâmico?

O Vasco Mina mostrou-me um “chat” em que participa, no Whatsapp: “Luísa: Vai chegar, no dia 20, uma família da Síria. Temos uma casa que nos foi cedida e precisamos ainda de candeeiros, talheres… Antónia: Ofereço os candeeiros. Onde se entrega?…”. No passado dia 20, chegaram os sírios. Esqueléticos, depois de uma evasão perigosa e de uma escala num campo de refugiados na Grécia. O Vasco partilhou no seu blogue o início de conversa que transcrevi e – surpresa! – só apareceram críticas na caixa de comentários. Parece que o encontro com novas culturas gera pânico. No entanto, o momento mais alto da história portuguesa foi quando nos enchemos de coragem e demos novos mundos ao mundo. “Descobrimentos” é o nome desse período áureo. Também foi tempo de incerteza, de susto, de sofrimento e de saudades, de negócio e de curiosidade, e de enamoramento, de fidelidade e de traição. “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho!” – disse Cristo. O grande problema é a incerteza da relação humana. Como reagem aqueles de quem nos aproximamos? A experiência remonta ao primeiro Natal: uns adoram o Menino, outros procuram matá-Lo.
Por exemplo, a Direção do Mosteiro de Alcobaça proíbe atividades religiosas e organiza desfiles de moda; opõe-se a que haja um ambiente recolhido junto do Sacrário; expõe imagens de Nossa Senhora viradas para a parede, em trajes ridículos; patrocina no espaço da igreja performances com pouco decoro. Porquê? Não são portugueses como nós? O que move certas autoridades do nosso país?
Quais são as intenções dos refugiados que chegam à Europa?
Recentemente, o Papa Francisco contou uma história passada em Roma. “Um refugiado tentava orientar-se nas ruas e uma senhora aproximou-se. O refugiado, que estava descalço, explicou: “Quero ir à basílica de São Pedro, para ganhar o Jubileu”. A senhora mandou parar um táxi. O refugiado cheirava mal e o taxista não estava muito disposto a deixá-lo entrar; no final aceitou. O homem narrou a sua história de dor, de guerra, de fome (…). O taxista, que no início não queria que o imigrante entrasse, insistiu: “Não, minha senhora, sou eu que devo pagar-lhe porque me fez ouvir uma história que mudou o meu coração”. Quando fazemos algo deste tipo, no início recusamo-nos porque nos incomoda um pouco, “cheira mal!”. Mas, no final, a história perfuma-nos a alma e faz-nos mudar.”.
Como é que Nossa Senhora, S. José e o Menino reagiriam, se estivessem no meu lugar?

José da Silva André, Professor no Instituto Superior Técnico

Outras notícias em Opinião