Este foi mês de nos despedirmos do Café Restaurante Trindade, venerável casa que durante mais de 100 anos vincou o seu incomparável lugar entre a restauração alcobacense, que assim vê desaparecer mais um daqueles seus espaços de eleição, também inesquecível pelo sentimento que gerou em torno de si, dando-nos muitas vezes a música que nos animava e libertava, numa fase mais recente, em que abriu o seu espaço a concertos rock, apresentações de novos vídeos de bandas alcobacenses e até mesmo à apresentação de dj/sets como o de maio de 2012, em que participou a elite dos djs que duramente muitos anos animaram o espaço do não muito distante Bar Ben, outra glória desaparecida da vivência local. Pratos de predileção como a sua inigualável açorda de gambas ou o seu sublime arroz de peixe desaparecem infelizmente de uma gastronomia local cada vez mais descaraterizada, bem como a sua celestial doçaria, eterna memória de instantes que nos elevaram ao paraíso da doçura e que agora ficam mais distantes, nomeadamente os seus históricos barretes que, felizmente, continuarão a ser disponibilizados por encomenda, tal como outros néctares que durante mais de um século trouxeram sempre uma nova vida a quem fruiu um espaço de memória eterna de uma restauração local cada dia mais invadida por sabores asiáticos e orientais, bem como pela fast-food. O desaparecimento do Café Trindade é mais um inquietante sinal de uma Alcobaça que dia a dia vai desaparecendo, com um centro histórico que a nível comercial é atualmente uma deprimente sombra daquilo que já foi, embora a memória do Trindade esteja já entre aquelas que serão para nós sempre inspiradoras.