Opinião

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Eleições, Europa, Portugal

Um caso verídico: nas vésperas das eleições francesas, houve quem colocasse esta questão a um influente ministro do atual governo: no próximo domingo, os senhores vão torcer pela vitória de Hollande, embora ele não pertença à vossa família política? O ministro, nem sim nem não, chutou para o lado…

A vitória de Hollande não representa a solução para todas as dores desta pobre Europa. Mas é um sinal, mais um, e bem importante, para que se possa começar a infletir no rumo que tem vindo a ser seguido – austeridade, austeridade, austeridade. Austeridade sim, mas com calma. Deixem-nos respirar um pouquinho… vamos lá também puxar pela economia e pelo tão falado crescimento. E, já agora, não deixem o chamado estado social fechado numa gaveta hermética. Há quem defenda que a ideologia pertence ao passado (o grande escritor Kundera assim pensa) e que vivemos o tempo da “imagiologia”. Mas o certo é que as ideologias continuam instaladas e regem o destino dos povos. Ainda há bem pouco tempo, Bagão Félix, no programa da RTP Notícias “Avenida da Liberdade”, reiterou, em sucessivas semanas e criticando o executivo de Passos Coelho, que não é liberal, mas democrata cristão. Poucos dias depois, o professor Adriano Moreira afastava também o liberalismo, defendendo que foram a democracia cristã e o socialismo democrático quem instituiu o verdadeiro estado social na Europa, quem lançou as bases para a unidade e solidariedade, tão mal tratadas ultimamente.

Angela Merkel, sendo democrata cristã, comporta-se como ultra liberal. E muitos admitem que a Alemanha, depois de ter provocado duas grandes tragédias na Europa do século XX, prepara-se para provocar uma terceira, agora sem armamento bélico, mas com o poder de destruição da economia. Valha-nos a vitória de François Hollande, que nos traz uma réstia de esperança.

E na Grécia, como vai ser? Pobres gregos… Os extremos tocam-se e os extremos são maus conselheiros.

E depois da Grécia, Portugal? Pobres de nós, também. Estamos num caminho neoliberal, que já nada tem a ver com o pai do liberalismo, Adam Smiht.

É agora a Escola de Chicago implantada entre nós. E isso assusta-me.

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