Quando lemos um texto que nos preocupa ou perturba somos tentados a pensar que melhor seria não termos lido. Poderá ser esta a conclusão do leitor, ao ler este texto. No entanto, a realidade da vida impõe-se de tal forma que acabamos por concluir que a leitura de “tristezas” também faz parte do nosso dia a dia, uma vez que as “alegrias” resultam, muitas vezes, de ideias ocas que nem sempre fazem sentido. Estamos a viver um tempo de horizontes negros, cá dentro e lá fora. Um dos temas discutido ultimamente, cá dentro, é a possível revisão da Constituição da República, velhinha de 50 anos. Mas é mesmo necessário proceder-se, agora, à sua revisão? Não se tratará de uma querela em interesse, promovida por populistas ansiosos de tempo de antena, páginas de jornal, redes sociais e outros meios de se fazerem ouvir? Esta é uma birra do Chega que, se não for considerada como birra ou guerrilha pelo PSD, este partido poderá sofrer graves consequências, que é afinal mais um dos objetivos populistas. A Constituição salvou, milagrosamente, a nossa democracia, sofreu ao longo do tempo várias revisões, como a retirada do Conselho da Revolução, a reversão das nacionalizações e a abertura dos vários setores económicos. A Constituição que hoje temos pode perfeitamente ser revista, mas sob uma profunda reflexão e discussão pública, e não por via de uma autêntica chantagem do Chega. Aliás, são raras as revisões constitucionais nos países com tradições democráticas. Lá fora, uma grande nação, pioneira da liberdade e da democracia, os Estados Unidos, tem como presidente um homem que diz hoje uma coisa para amanhã dizer o seu contrário, e o que impressiona é não haver mais contestação relativamente a um indivíduo que insulta parceiros de longa data e velhos aliados. Trump dispara contra tudo e contra todos. Se decide invadir um país independente, não consulta quem quer que seja, e se depois os resultados não forem satisfatórios culpa os países velhos aliados por não acorrerem em seu auxílio. Trump põe e dispõe. Nunca avalia as situações. Esta guerra no Irão, que iniciou com o seu amigo Netanyahu, duraria pucos dias ou semanas, e em recente conferência de imprensa afirmou que os iranianos estavam felizes com as bombas a cair-lhes em cima. O certo é que a guerra, cujo termo não se vislumbra, está a provocar uma crise económica global. Enfim, se estamos mal cá dentro, com o Chega, não estamos melhor lá fora, com Donald Trump à solta.
Leia o artigo na edição de 9 de abril de 2026




























