Opinião

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Europa mais pobre

Foi a 23 de junho. O Reino Unido decidiu deixar a União Europeia. Conheci muitos ingleses, privei com alguns durante a vida e sobre eles pude formar uma opinião. Pessoas de uma educação esmerada, de extrema atenção para com o seu semelhante, mas também às vezes elitistas, sofisticados, quando não arrogantes. A saída da União Europeia foi uma decisão democrática, ou não fosse a Grã Bretanha a campeã da democracia. Foi também uma decisão arriscada – para ambas as partes. Quem perde mais? A libra baixou para níveis baixíssimos, a economia e o mundo dos negócios entrou em tremuras, em Londres. Chris Patten, chanceler da Universidade de Oxford e ex-comissário europeu, defendeu que “é difícil imaginar quaisquer circunstâncias em que o Reino Unido não fique mais pobre e menos significativo no mundo”.
A União Europeia, por seu lado, nada aprendeu com o “brexit”. Os seis membros fundadores reúnem e pressionam Londres, numa retaliação pueril, a sair o mais rapidamente possível. Onde está uma resposta firme, clara, para refundar a União Europeia? Continuamos a assistir a uma Europa desconexa, sem solidariedade entre os seus membros, e até volta à baila o problema das sansões a Portugal e à Espanha devido aos défices de 2015. Incrível! Quando Jean Monnet, o pai da unidade europeia, lançou as bases da união, em 1955, certamente não lhe passava pela cabeça o estado a que chegou esta Europa. Se cá voltasse, regressaria, atónito, ao seu túmulo.
O “brexit” foi a 23 de Junho deste ano de 2016. Foi também a 23 de Junho do ano de 1661 que o rei de Inglaterra, Carlos II, assinou o acordo do seu casamento com Catarina de Bragança, filha de D. João IV de Portugal. Pois foi, como é sabido, através dela que os ingleses passaram a conhecer o chá. Como se vê, os britânicos devem também muito à Europa continental.
Agora, depois deste divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia, para a desgraça do mundo ser maior, só faltava que Donald Trump vencesse as eleições americanas…

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