Opinião

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Extraordinários. Mães

Neste 2020, em cada edição, pessoas extraordinárias em algum aspeto da sua vida, com ligação à nossa região.
A minha mãe, que já não nos conhece, fez há dias 94 anos.
Quando no registo de um bebé, os pais são agora designados por “Primeiro Progenitor” e “Segundo Progenitor”, homenagem às nossas mães! A isto de o Estado já não chamar mãe a uma mãe e pai a um pai, chamam alguns progresso… mas são extremismos que geram extremismos opostos!
“Acho que a tua mãe foi a pessoa mais inteligente que conheci”, disse-me recentemente uma colega sua. E outra colega: “Foi das pessoas mais bem formadas que encontrei na vida”. A minha mãe foi, de facto, uma aluna brilhante e “reta como o sol”, como dizia o meu avô. Mas mais que tudo legou-me a fé e o Evangelho como critério absoluto nas suas decisões mais importantes e difíceis, mesmo com pessoas que a magoassem ou ofendessem. Se tivesse dúvidas, procurava o conselho de um padre, discutia connosco como proceder. Repetia-nos: “antes ficar prejudicada do que prejudicar alguém”. Quando lhe foi diagnosticado cancro, o irmão da sua afilhada era médico nesse hospital: três meses de espera, o bloco em obras, mas sempre firme: “Deus me livre de pedir para passar à frente de alguém, que até esteja pior que eu”. Tinha horror a privilégios. Muito humilde, imparcial, gostava de dizer as qualidades dos outros, mesmo por quem não nutrisse especial simpatia: “os defeitos que as pessoas têm chegam-lhes bem, não vale a pena pôr mais”.
E “o que é, é”. O mal era mal, o bem era bem. Não confundia misericórdia com desvalorização da virtude ou do pecado. Mas, como manda Jesus, perdoava. Mesmo a quem a prejudicasse. “Nunca se alimenta ódio contra ninguém; ‘bom dia’, ‘boa tarde’ com o nosso bonito modo e segue-se adiante”. Sensata, não ia em «manadas», impiedosa ou cegamente. Era ainda mais exigente consigo própria do que com os outros. Uma rocha de integridade; e uma rocha não é morna nem “fofinha”. Mas é firme. A minha mãe foi a minha rocha. De fé inabalável. De serviço. De vida obediente a Deus. A boa mãe, que nunca quis ser adorada pelos filhos, mas que os filhos adorassem a Deus.
Demos graças pelas nossas mães!

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