Opinião

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Extraordinários. Profissionais de saúde

Neste 2020, em cada edição, pessoas extraordinárias em algum aspeto da sua vida, com ligação à nossa região.
No dia seguinte a um tratamento que fiz em Leiria, que exigiu grande proximidade, recebi mensagem do técnico de saúde que me tratou a informar-me que ele tinha testado positivo à Covid-19. Notifiquei os alunos, dei aulas à distância, falei com a Saúde 24: iria ser contactada pelas autoridades da saúde. Não fui e, um tempo depois, contactei a delegada de Saúde de Alcobaça, Teresa Seixas Gomes, que não poderia ter sido mais solícita: sendo o contacto em Leiria, estava a cargo das autoridades de Saúde de Leiria, mas a norma em vigor considerava de baixo risco os contactos com máscara. Ainda assim, enviou-me os contactos de Leiria e informou-me do atendimento Covid-19 diário no centro de saúde mesmo aos fins-de-semana e feriados. Nunca a vi, mas o seu profissionalismo e atendimento foram extraordinários. Com Leiria, não consegui falar, mas responderam ao meu mail: “todos os contactos no âmbito dos tratamentos foram considerados de baixo risco e apenas foi aconselhado que ficassem em autovigilância e continuassem a trabalhar. Por isso, não foram contactados pela Autoridade de Saúde (…) Assim não tem indicação para ficar em casa nem para fazer teste”. A norma a que obedecem os delegados de saúde difere do que informam a Saúde 24 e os media: auto-isolamento quando há contacto próximo com infetado em espaço fechado. Nem o próprio técnico de saúde foi avisado pelas autoridades que tinha tratado na sua clínica uma pessoa infetada e continuou a exercer. Faltam recursos humanos, mas uma sms de aviso para autoisolamento, neste caso, enviada às 40 pessoas que este técnico de saúde tratou depois de ter ficado infetado, acho que é “elementar, meu caro Watson”.
Recebi também um atendimento impecável no centro de saúde. Porém, os extraordinários profissionais não podem fazer mais; cabe ao Governo uma comunicação e atuação coerentes e, num país com poucas camas de cuidados intensivos, apostar no rastreamento de contágios, como têm alertado tantos responsáveis hospitalares. Que Deus nos ajude!

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