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Extraordinários. São Bernardo

Neste 2020, em cada edição, pessoas extraordinárias em algum aspeto da sua vida, com ligação à nossa região.
O extraordinário desta edição é, claro, São Bernardo. No tempo da instantaneidade, que rouba o sentido de vida eterna, é extraordinário celebrar alguém que morreu há 867 anos. Como extraordinários são os seus monges que aqui, ao longo de séculos, construíram um Património Mundial de espiritualidade, de desenvolvimento, de arte e de cultura. Monges que não trouxeram milhões consigo. Trouxeram conhecimento. O que fez e sempre fará a diferença.
Quando conduzi um estudo da Universidade de Aveiro para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, ouvi a um empresário: “dinheiro é fácil arranjar, há muitas candidaturas para projetos, mas não adianta despejar dinheiro sobre os territórios; são precisas pessoas e pessoas com conhecimento”. Os milhões de euros da União Europeia trouxeram-me ao espírito os monges que fizeram Alcobaça grande no país e no mundo… Já sem conhecimento e competência, uma terra definha. E o país também, ultrapassado pela Eslovénia, Chipre, Estónia, Lituânia e Eslováquia em PIB per capita, no 3.º pior lugar da Zona Euro.
Os monges de Cister, servindo a Deus e aos homens, sabiam administrar. Agora… quando um professor catedrático do Instituto Superior Técnico criticou o investimento de 7 mil milhões no hidrogénio, o secretário de Estado da Energia chamou-lhe “mentiroso do pior” e ” aldrabão encartado”. Irá ser monitorizado este «discurso de ódio»? O que chamará ele a Ellon Musk, o fundador da Tesla, promotor de viagens espaciais, que disse: “é estúpido investir no hidrogénio”?
E, no entanto, há sempre motivos de esperança. Há 25 anos, um grupo de alcobacenses conseguiu promover a elevação de Alcobaça a cidade com o consenso de todos os partidos no Parlamento. Teimemos na esperança: em tempos difíceis, O ALCOA edita as memórias de Frei Manuel de Figueiredo. Legado aos jovens. Que fiquem alguns e que, sem sectarismo, com conhecimento e competência, venham a refundar estas terras de São Bernardo!
aNA CALDEIRA, diretora

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