As recentes eleições do Benfica fizeram-nos lembrar a importância do voto, ou seja da expressão da vontade de cada indivíduo em relação a algo que nos toca a todos. O número de pessoas que expressaram a sua vontade nestas eleições foi significativo , de tal forma que bateu o record mundial de votações do género. Quando pensamos no elevado número de abstenções que se registam em eleições políticas, não podemos deixar de lamentar esse facto, por se tratar de escolhas fundamentais para o nosso dia a dia. Depois ouvimos pessoas a dizer mal dos políticos e da política em geral. Parece-me que quem não vota não tem o direito de criticar, uma vez que não quis escolher, sujeitando-se a ser governado por “escolhas” alheias. Esta, uma ilação ou lição decorrente das eleições do Benfica. Foram bem concorridas, por se tratar de um clube desportivo? Mas as eleições nacionais são eleições de um grande clube chamado Portugal. Outro aspeto a considerar tem a ver com a atitude do candidato vencido. Com efeito, Noronha Lopes, já na primeira volta ficara longe do score de Rui Costa, menos 12 por cento, mas insistiu na ida à segunda volta alegando que não desistia do Benfica. Parecia-me mais acertado dizer que não desistia de si próprio, uma vez que não trouxe ao debate nada de novo, limitando-se a repetir slogans batidos, que qualquer benfiquista podia dizer, como “eu quero é que o Benfica ganhe”, sem explicar como. Falou muito de ideias, sem especificar uma única. Contratando Bernardo Silva? Só isso? Aliás, também não explicou se pagaria do seu bolso o montante da transferência. Certo é que “obrigou” o clube a fazer mais despesa, “obrigou” os sócios votantes a nova deslocação ao local das votações, enfim, obrigou à montagem de assembleias pela segunda vez, e tudo isso para quê? Para, como parecia óbvio, voltar e perder, desta vez por maior margem, 33 por cento. De facto, não valia a pena esta insistência. Valha-nos, contudo, o record de votantes, a nível mundial, em eleições num clube desportivo, qualquer coisa como cem mil oitocentos e noventa e um. É obra!