Isabel Ventura. “A nossa terra merece novas ideias e novas pessoas”

PERFIL

Nome: Isabel Ventura

Idade: 58 anos

Naturalidade: Alcobaça

Formação académica: engenheira química

Atividade profissional: auditora de sistemas de gestão

Lema de vida: “Mãe e esposa, católica, grata e de bem com a vida, preocupada com a sociedade, a educação, a segurança e a saúde de todos os cidadãos e sempre preocupada com o ambiente”.

Porque se candidata e que capacidades a diferenciam? Como responde aos que veem uma candidatura do CHEGA como radical, de extrema-direita, xenófoba e racista?

O que me move é o amor à minha terra, o passado e o futuro: por um lado, a rica história do território dos Coutos de Alcobaça; por outro lado, o objetivo de desenvolvimento económico, social e cultural do concelho de forma ambientalmente sustentável. Nunca comprometendo nem empenhando o desenvolvimento do concelho aos nossos filhos!

O sentimento da maior parte dos alcobacenses é de que Alcobaça parou no tempo. A nossa terra merece novas ideias e novas pessoas. A minha vasta experiência como auditora em sistemas de gestão da qualidade, ambiente e segurança em empresas produtoras e de serviços, incluindo câmaras, permitir-me-á seguramente uma abordagem eficaz e de melhoria da gestão autárquica.

A candidatura do CHEGA é séria, de pessoas de bem e de trabalho. Não revejo, de todo, os chavões xenófobos e racistas. Posso até acrescentar que possivelmente serei a única, de entre os candidatos de Alcobaça, que tive durante muitos anos como meus colaboradores um casal de etnia cigana (caseiros na quinta no Douro). Além disto, todas as pessoas que trabalharam comigo, enquanto Diretora da Qualidade e Ambiente da SPAL,SA, sabem que tive durante anos comigo um colaborador direto de raça não branca. Em ambas as situações, tanto na qualidade de empregadora como na qualidade de superior hierárquico, as relações interpessoais com os referidos colaboradores pautaram-se sempre pelo respeito e até pela amizade. 

Quais as suas prioridades?

Gestão transparente dos dinheiros públicos. Reorganização dos serviços, definindo objetivos e indicadores de desempenho, planeando ações e espaço temporal para implementação de um Sistema de Gestão Anti Corrupção pela norma ISO 37001:2016. Criação de um portal da transparência que informe sobre resultados obtidos com a política de contratação pública sem considerar ajustes diretos. O munícipe só deverá pagar o valor dos serviços contratados e acompanhar, como parte interessada, os resultados dessa gestão autárquica.

Como contrariar a perda de habitantes? Como tornar o concelho mais atrativo e competitivo?

A peça que falta em Alcobaça será um polo para ensino técnico, comportando parcerias com as empresas locais. Neste sentido, esse polo deveria ser um fator dinamizador de crescimento e da economia, permitindo o aumento do rendimento médio das famílias, isto por via do aumento da empregabilidade na indústria transformadora. Considerar geograficamente a localização deste polo na Benedita, como fator dinamizador da marca Benedita Indústria.

Nos serviços deveríamos considerar o Turismo com todo o potencial de costa que temos de quase 40 Km, a sul e a norte da Nazaré, com todas as sinergias que podem ser criadas com este concelho vizinho, no que diz respeito a desportos náuticos. Temos também as serras e os seus percursos pedestres, tão procurados pelos amantes do turismo de natureza, aliar as ciclovias entre principais freguesias e divulgar Alcobaça como Cidade Emissões Zero. As marcas Coz e Aljubarrota urgem em ser criadas. Deverá ser pensado um transporte inter-freguesias ambientalmente responsável. Todos estes pontos e locais de atração turística, nas diferentes freguesias do concelho, deveriam estar interligados com o atual ex-libris e cartaz turístico, o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Implementar de forma concertada um feroz marketing digital do que será turisticamente a nossa Alcobaça-Emissões Zero, criando a expectativa, nos potenciais turistas, a visitarem-nos.

Aliado ao aumento da empregabilidade, todos os Alcobacenses, e principalmente os jovens, sentirão de forma mais intensa a atual falta de oferta de habitação. Curiosamente, a Autarquia é a detentora da maior bolsa de terrenos urbanos desta cidade. Há que criar mecanismos de promoção junto de investidores privados, através de concursos públicos, com previsão contratual de preço final comportável a esse mesmo potencial mercado jovem.

Dever-se-á deixar o mercado funcionar, agilizando os processos de licenciamento.

O que faria no património, agora com o Mosteiro de Alcobaça na lista da UNESCO de Património Mundial em Risco?

Intervenção urgente de reabilitação na Rua D. Pedro V (rua mais fotografada pelos turistas). Projeto a desenvolver com traça integrada nos atuais edifícios do Mosteiro, que funcionarão como hotel de cinco estrelas, e que é da autoria de um grande arquiteto português, já reconhecido com um prémio Pulitzer.

O que faria para a comunidade católica de Alcobaça ter, como dita a lei, afetação permanente ao culto no Mosteiro, que é hoje a Igreja Paroquial?

O Mosteiro de Alcobaça é um monumento transversal à história de Portugal. Na época em que foi mandado edificar por D. Afonso Henriques, as congregações de monges dos mosteiros eram os principais responsáveis pela divulgação dos aspetos culturais e também do saber, além do principal propósito do culto religioso. Temos de nos rever numa época e numa sociedade em que só existiam as primeiras universidades noutros países da Europa, tendo a Universidade de Coimbra surgido posteriormente, e com a influência dos monges de Cister, no reinado de D. Dinis. Além do culto religioso, que deve acontecer no nosso Mosteiro de Alcobaça, este é também um monumento classificado como Património Mundial da Humanidade e deve continuar sempre a ser encarado como aspeto cultural e como símbolo do saber Português (que é e que sempre será). Há que gerir estas três vertentes (religiosa, política e de património) por parte da Diocese, da Câmara de Alcobaça e do DGPC, com base no diálogo, respeitando e fazendo respeitar sempre a Concordata e com responsabilidades bem definidas por todas as partes envolvidas. 

Sim, na minha opinião, o Mosteiro deverá ser a Igreja Paroquial da Comunidade Católica de Alcobaça. Os Alcobacenses têm de ter direito ao seu culto religioso na principal igreja existente no seu município.

Por que devem os eleitores votar em si?

Todos os que me conhecem sabem que, até à data desta candidatura, nunca precisei de cartazes nem de propaganda política para construir o meu curriculum. Nutro sentimentos de amor pela minha terra e isso pode também ser um fator diferenciador para votarem em mim, para rumarmos em conjunto para uma Alcobaça mais inclusiva e triunfante, pós-pandemia.

Vive-se um acumular de todos estes anos de inércia sempre nas mãos dos mesmos, o que estagnou Alcobaça no tempo.

Há décadas que não há um alcobacense à frente do concelho de Alcobaça. Temos de repensar o concelho como um todo e a sede como um “sistema nervoso central”, com visão e estratégia abrangente a todas as vilas do concelho, considerando conexões fortes, transversais e impulsionadoras da economia local.

Alcobaça merece novas ideias, novas pessoas. A mudança é sempre boa, faz-nos evoluir e sermos melhores. Vamos potenciar o que de melhor há em cada freguesia, da serra até ao mar!

Qual a primeira medida que tomaria?

Terminar com a política de contratação pública por via dos ajustes diretos e criar portal da transparência da gestão autárquica. Reorganizar os serviços, minimizando os tempos de resposta a processos de licenciamento.

A entrevista foi concedida por escrito.

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