O recente falecimento do ilustre fotógrafo Jorge Barros foi mais uma enorme perda para a cultura alcobacense. Nascido em Alcobaça, em 1944, por cá frequentou o ensino primário, o ciclo preparatório e o Curso Geral de Comércio, tendo também cá tido o seu primeiro emprego nessa área. Em Alcobaça se iniciou também na arte da fotografia, em 1961, tendo como mestres e mentores figuras como Antero Monteiro da Silva, João da Bernarda, José Manuel Almeida, Ernesto Luís e José Nuno Câmara Pereira, incentivos que não desperdiçou. Ainda em Alcobaça, colaborou nos jornais O Alcoa e A Voz de Alcobaça, tendo sido cofundador da Casa da Amizade e do Interact Club, ao qual presidiu em 1963, sócio e animador da Cooperativa de Consumo e Progresso Alcobacense, fundador e membro da ADEPA – Associação de Defesa do Património de Alcobaça, dando novo importante passo em 1980, quando foi corresponsável pelos Encontros de Fotografia no Mosteiro de Alcobaça, com a exposição As Pedras e as Gentes, em 1980. Encaminhou-se para Lisboa na segunda metade da década de 1970, tendo sido sócio fundador da cooperativa Virver e assistente de realização e produtor executivo de cinema e televisão, incluindo a épica série Histórias de Cidades, de José Hermano de Saraiva. Foi também marcante a sua colaboração fotográfica com o historiador e geógrafo Orlando Ribeiro. Expôs fotografia em Portugal e noutros países, incluindo o continente americano, realizando também essa sua arte de eleição em inúmeros livros, seus e de outros autores, colaborando também em jornais e revistas como Jornal de Letras, Público, Diário de Notícias e Expresso, mantendo em paralelo, colaborações com os grupos de teatro A Comuna, A Barraca e O Bando, tendo sido também autor de imagens no domínio filatélico. Integrou, entre 2003 e 2006, a Direção da Sociedade Portuguesa de Autores. Aquele que será infelizmente o seu último livro publicado, Espantalhos e Campos, estará em breve disponível nas livrarias, tendo ainda Jorge Barros tido a felicidade de o ver impresso.
Muito mais haverá sempre a dizer e escrever sobre a relevante carreira de um artista alcobacense que raramente teve a atenção que merece na cidade onde nasceu, que ainda estará a tempo de o fazer, sendo disso um bom sinal a anunciada edição em livro, para breve, em edição da ADEPA, da sua rubrica Os Homens e as Coisas, mantida durante décadas no mensário A Voz de Alcobaça, aliando texto e fotografia. Até sempre, Jorge Barros!




























