Opinião

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Lidar com o (des)emprego (II)

Os portugueses que não conseguem arranjar emprego ou se veem obrigados a contentar-se com trabalhos menores ou a tempo parcial, quando o que querem é empregos a sério e a tempo inteiro, acabam muitas vezes por desistir… A verdade é que o desemprego transformou-se numa armadilha de que é difícil (impossível) escapar.

Porque é que o Poder parece não querer saber disto?

Parte da resposta pode ser porque enquanto os que estão desempregados tendem a continuar desempregados, os que ainda têm emprego sentem-se mais seguros que há um ano.

Neste momento, o nosso tecido empresarial sofre com um baixo nível de contratações, e não propriamente com o alto nível de despedimentos (o que é diferente da cessação das relações de trabalho), por isso as coisas não parecem assim tão más, desde que não nos preocupemos demasiado com os desempregados.

As sondagens mostram que os portugueses continuam mais preocupados com o emprego que com o défice, o que torna ainda mais surpreendente que, nos Corredores do Poder, se pense o contrário, e que os argumentos usados para justificar a obsessão com o défice, não têm sido confirmados pela experiência.

Por um lado, somos avisados que os mercados não vão voltar a apoiar Portugal, a não ser que cortemos na despesa de forma drástica e imediata.

Por outro, foi-nos assegurado que a redução dos custos faria maravilhas pela confiança dos investidores (estrangeiros). No entanto, nada disso aconteceu nos países que adotaram políticas de austeridade.

Mesmo assim, a obsessão com a redução da despesa continua em alta, sem que o Governo a ponha em causa. Estimado leitor e alcobacense, a próxima vez que ouvir um político (da maioria ou da oposição) dizer que está preocupado com o défice que põe em causa o futuro dos nossos filhos, lembre-se que o problema dos nossos jovens não é o défice, mas a falta de emprego. O que me leva a perguntar quando é que voltarão os nossos políticos a preocupar-se com essas centenas de milhares de nossos esquecidos.

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