Dia 20 de março, Dia Internacional do Contador de Histórias.
Talvez o mundo ainda não tenha entendido a importância vital deste dia. Talvez, por termos as histórias sempre connosco, tenhamos deixado de valorizar o prodígio de quem as faz viver.
Elas já estavam lá quando inventámos o fogo; já nos aqueciam à volta da fogueira muito antes de sabermos ler ou escrever. Os contadores de histórias devem ser, por isso, almas velhas que vêm ao mundo numa missão ancestral.
Num tempo de ecrãs frios e pressas vazias, o contador é o bálsamo de paz, o encontro suave e envolvente que o mundo, no seu cinzento, tanto reclama sem saber.
Como bem nos lembrou Charlie Chaplin: “Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.” Contar uma história não é apenas conviver; é a arte sagrada de ficar na memória. É um ato de resistência onde a palavra ganha corpo, o olhar procura o interlocutor no olho e a alma encontra o seu par.
Quem conta, entrega-se por inteiro: as mãos desenham o invisível, a voz torna-se abraço e o coração agarra o outro pela emoção pura. É este o brilho que falta: a coragem de ser humano, bicho e sonho, tudo ao mesmo tempo. Neste banquete de sentidos, onde todos entram e ninguém sai igual, a história revela-se como a medicina de que o mundo padece.
Como escreve Clarissa Pinkola Estés em Mulheres que Correm com os Lobos: “As histórias são medicinas… elas têm o poder de instruir, de curar e de criar laços que o tempo não apaga.”
Precisamos de mais contadores e de menos armas. De mais histórias que curem e de menos algoritmos que afastem. Celebrar este dia é devolver ao mundo a sua luz mais antiga.
É dizer que, enquanto houver alguém disposto a emprestar o seu corpo e a sua alma a uma narrativa, a humanidade continuará a ter um lugar quente para chamar de casa.
Feliz Dia do Contador de Histórias!
Que as minhas histórias continuem a criar laços…
Leia o artigo na edição de 9 de abril de 2026





























