Natural da Benedita, terra de onde nunca saiu, Marina Caetano, professora há quase três décadas, assume também o papel de presidente da Junta da Benedita, função que abraça há quatro meses, sucedendo a Maria de Lurdes Pedro.
Com a genuinidade e a força de vontade que a caracterizam, fala a’O ALCOA sobre esta nova missão, bem como sobre os problemas, desafios e projetos que gostaria de concretizar na sua freguesia.
Porque decidiu candidatar-se à Junta?
Já estou no executivo há oito anos, tendo começado como secretária. Fui desafiada em 2017 pela anterior presidente, alguém que sempre admirei. Na altura, já era professora, sou professora há 28 anos, mas sempre trabalhei e estudei ao mesmo tempo, porque os meus pais tinham cinco filhos. Aos 12 anos comecei a trabalhar numa loja de roupa de criança e permaneci mesmo depois de começar a dar aulas, aos 18 anos. Quando alcancei estabilidade financeira, abri a minha própria loja, a “Pipoca”, na Avenida da Igreja. Sempre estive muito envolvida na vida da vila e nunca precisei de sair daqui para estudar.
Quando a Nica (Maria de Lurdes Pedro) anunciou que não faria o terceiro mandato, o presidente da Câmara de Alcobaça, Hermínio Rodrigues, desafiou me para continuar o trabalho da equipa. A própria Nica incentivou-me muito. Depois de falar com a minha família, aceitei o desafio.
Como tem sido a experiência?
Há quatro meses que sou presidente de Junta e a experiência tem sido muito positiva. Este novo grupo de presidentes eleitos dá-se muito bem. Temos um grupo de WhatsApp onde partilhamos angústias, rimos e nos apoiamos. Logo no início fomos “praxadas” por S. Pedro: a tempestade Cláudia chegou uma semana depois da tomada de posse, seguida da Kristin e depois do Leonardo, que para nós foi ainda mais complicado. Só agora começo a sentir alguma normalidade depois de tanta adrenalina. Apesar disso, acabou por ser uma boa forma de começar o mandato. Fiquei muito próxima dos bombeiros, da população e descobri recantos da freguesia que não conhecia, porque é realmente muito grande. Ainda não sei os nomes de todas as ruas, mas já sei onde ficam.
Como caracteriza a sua freguesia?
A Benedita é uma freguesia muito grande, que daria trabalho a duas pessoas. O tecido empresarial é enorme e as pessoas são muito exigentes, com razão; eu também sempre fui exigente com quem esteve antes de mim. Hoje sente se alguma intolerância: tudo tem de ser imediato e, se não for já, parece que não prestamos. Há sempre críticas, muitas vezes feitas atrás de um telemóvel, mas a minha abordagem é outra. A Junta é isto: a presidente é a primeira pessoa a quem recorrem, e ser presidente é um papel muito humano, quase de psicóloga, algo que já vivia como professora. Às vezes digo: “Espero fazer muito, mas mesmo que não consiga fazer tudo, esta gente leva muitos beijos meus”. É genuíno.
Leia a entrevista na integra na edição de 12 de março de 2026





























