“Martingança não ganha nada com a agregação a Pataias”

Nome: Fernando Gomes Escudeiro
Data de nascimento: 27 de abril de 1942
Profissão: Diretor da Crisal (aposentado)
Naturalidade: Martingança
Quando se candidatou: 2001
Porque se candidatou: “Primeiro porque estava aposentado e depois porque me pediram. Aceitei por poder dar um contributo à minha freguesia”.

Três mandatos, doze anos. Que balanço faz do seu mandato?
O balanço é muito positivo. A freguesia da Martingança foi criada há 27 anos. Era um lugar de Pataias parado no tempo, um marasmo total. Nestes anos, e já depois dos 12 anos comigo, instalaram-se na Martingança 40 empresas, que dão trabalho a 1180 pessoas. Neste momento, está a concluir-se  um investimento de 12,5 milhões de euros [ampliação da fábrica SOCEM, empresa de moldes e plástico]. E temos mais três empresas para se instalar cá, em função do resultado da reforma administrativa das freguesias.

A reorganização das freguesias é o principal problema que a Martingança enfrenta?
A Martingança foi a primeira freguesia do concelho a responder a todos os requisitos da reforma administrativa. Veio o livro verde, que eu li três vezes e não percebi nada. Mas depois tive a sorte do autor do livro vir dizer na imprensa que também ele tinha chegado à conclusão que não percebeu nada daquilo que tinha lido e isso deu-me alguma satisfação. De qualquer forma, fomos os primeiros a dizer: “se, com a reforma proposta, o país beneficiasse um euro em relação à freguesia da Martingança, que a fizessem já amanhã”. Mas não, eu sei fazer contas e é precisamente o contrário. Pataias não ganha nada com a agregação da Martingança, nem a Martingança com Pataias. Rigorosamente nada. O povo jamais quer regressar a Pataias e como não quer regressar a Pataias, já pensam na Marinha ou em Leiria. Os políticos deste país não sabem na fogueira em que estão metidos. E esta é uma situação que me preocupa muito, principalmente pelas novas gerações.

Quais são as obras feitas que considera mais relevantes para a Martingança?
No primeiro mandato disse ao dr. Sapinho que a minha função, aqui na freguesia, eram quatro anos, nem mais um dia. Quando aceitei ser presidente de junta também foi para ver se metade daquilo que eu ouvia dizer relativamente à autarquia-mãe, era verdade ou mentira. A primeira coisa que fiz foi procurar funcionar na junta como se estivesse na empresa onde trabalhei, no privado. Convoquei uma reunião com o senhor presidente e os senhores vereadores e havia um dossier cheio de assuntos pendentes para a Martingança, desde o saneamento ao pavilhão gimnodesportivo. E destes projetos todos disse ao dr. Sapinho: “diga-me aquilo que se pode fazer neste mandato ou não”. E nessa altura foi a extensão de saúde, foi a estrada para Pataias, junto ao campo de futebol, foi o aquecimento central das escolas e foi o pavilhão gimnodesportivo, a grande obra para a Martingança. O segundo mandato foi para conservar o que se tinha feito de novo, porque em termos de obras nada se fez. Havia a requalificação do largo do rossio, a avenida Nossa Senhora de Fátima, mas nada foi feito. Depois havia o alargamento do cemitério e da sede da freguesia, que só aconteceu no terceiro e atual mandato.

E o que falta fazer?
Há sempre possibilidade de fazer muito mais com muito menos, mas as pessoas não sabem como o fazer. Eu sei como se faz mais com menos. Falta fazer a requalificação do Largo do Rossio, que já abdiquei por ter consciência que é uma obra pesada. Falta a segunda fase do saneamento básico, que o orçamento ascendia a centenas de milhares de euros. São 47 focos que não têm esse saneamento. E claro, a Avenida Nossa Senhora de Fátima, a EN356, que é a vergonha da freguesia… Mas hei de lutar pela extensão de saúde e pela estrada até ao último dia em que cá estiver.

Qual é a situação financeira da junta de freguesia?
Todas as freguesias fazem o seu plano de orçamento, e portanto não há dívidas. O que é que nós fazemos? Prestamos serviço às pessoas: os correios, a farmácia, as reformas e temos a agência bancária, que também foi uma luta muito grande.

O que considera ser pilar de crescimento desta freguesia?
São as indústrias, claro. Empresas de tecnologia de ponta, na área dos moldes. Além da parte industrial, estamos encostados ao pinhal do rei e há proprietários que antes dedicavam à agricultura e agora têm tudo reflorestado. A floresta é uma riqueza e dá trabalho também a muita gente. Mas, infelizmente, também se anda a cometer grandes asneiras. Qualquer dia não é o Pinhal de Leiria, mas sim o eucaliptal de Leiria.

Ser autarca é gratificante?
Se me perguntar se gostei, gostei de ser autarca. Acho que vale mais aquilo que de bom passámos, do que aquilo que mau passámos. É um desempenho interessante, sabemos que estamos a contribuir para o bem estar das pessoas, embora sacrificando, muitas vezes, a família. Quem estiver no executivo não assume a presidência de uma junta da freguesia; estará a enganar as pessoas. Aqui, temos de estar 24 horas para os da terra, porque se não o fizer enganou as pessoas que votaram em si.

E vai haver recandidatura?
Não. É o terceiro mandato… embora se houver agregação, possa voltar a recandidatar-me. Mas se chego a outubro até julgo que é mentira. O que podem contar comigo é uma ajuda, um conselho, estarei sempre à disposição.

 

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