Mas como é isto possível?

Afonso Luís
Bancário aposentado

É esta a pergunta que se coloca quando ouvimos negativistas em relação à pandemia que vivemos. É que não se trata de uma epidemia, trata-se de uma pandemia universalmente reconhecida. As suas variantes são múltiplas, os efeitos estão à vista, e mesmo assim encontramos gente a negar o que todos observamos. É a gripezinha de Bolsonaro, é o exagero dos “media”, é o lucro das farmacêuticas, é a comunidade científica que se deixa manipular pelos grandes interesses em presença. E ouve-se disto: “Eu não quero ser vacinado!”, “Eu não quero usar máscara!” (Foi exatamente por isto que a empregada lá de casa, depois de uma boa relação de 14 anos, foi à vida…) O mais espantoso é que chega a haver pessoas inteligentes que pensam assim, e negam os efeitos claros, evidentes, da pandemia Covid-19.

Conheço quatro ou cinco pessoas deste naipe, e fico sempre de pé atrás, relativamente às suas motivações. Sabe-se que há movimentos organizados para, como dizem, defender Portugal e lutar contra a vacinação. São movimentos antissistema, nacionalistas, negacionistas, que pretendem agir em força e promover a desobediência civil. De um modo geral, têm ligações à extrema-direita, e os nomes dos principais intervenientes, sete ou oito, são conhecidos, sendo os principais o ex-militar Luís Freire Filipe e o ex-juiz Rui Fonseca e Castro. O que vale é que o número de adesões a estes movimentos não é muito significativo, de contrário poderíamos assistir a cenas lamentáveis, como aconteceu no ataque ao Capitólio, nos Estados Unidos. Quem o lembrou foi o conhecido criminalista José Manuel Enes, que, em declarações à Visão, alertou para o facto de “estes grupos, aparentemente algo folclóricos, serem, na verdade, um problema real para a segurança.”

Há também, embora em menor número e sem ligações a grupos organizados, pessoas que contestam a vacinação por motivações religiosas, e apenas porque são “fundamentalistas”. O certo é que a Covid-19 está aí, é uma séria ameaça à saúde pública, e quem nega esta realidade ou é cego, ou… (não sei como classificar).

Afonso Luís
Bancário aposentado

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