Miguel Silvestre. “Mais que Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro com Alcobaça”

PERFIL

Nome: Miguel Silvestre

Idade: 44 anos

Naturalidade: Vestiaria

Formação académica: Licenciado

Atividade profissional: diretor de Parque Empresarial

Lema de vida: “A man may die, nations may rise and fall, but an idea lives on” de John Kennedy. No dia-a-dia, uso frequentemente o “Pode sempre ser pior…”

O que o leva a candidatar-se? Como responde aos que olham para os liberais como opositores ao Estado social e defensores do mercado selvagem?

– O sentir que Alcobaça necessita de mudança. Precisamos de gente nova, arrojada e com a capacidade técnica para colocar o concelho onde deve estar: uma referência nacional em políticas públicas inovadoras e um gigante económico.

Tenho mais de uma década de experiência em autarquias. Trabalhando para elas e com elas. Conheço os princípios e a legislação base do seu funcionamento. Geri redes europeias de políticas urbanas. Sempre partilhei publicamente as minhas reflexões e opiniões sobre matérias autárquicas. E sendo político de momento, não sou da política. Tenho a liberdade e a autonomia que o nosso concelho necessita para mudar.

Desinformação pura. A Iniciativa Liberal baseia-se no modelo político que é a base de países como Holanda, Estónia, Finlândia. Ser liberal é defender uma regulação forte e absolutamente imparcial. É não ter medo da concorrência. Ser liberal é acreditar nas pessoas. Tratá-las como cidadãos de plenos direitos e não como incapazes. Para existir Estado social tem de existir Estado sustentável. Portugal não pode continuar a ser dos países mais pobres da União Europeia e a ser ultrapassado por todos os outros. Um liberal não consegue conviver com essa realidade.

Quais as suas prioridades?

Tornar Alcobaça num gigante económico (aumentando os novos negócios, diversificando a economia e posicionando-nos como um destino para as grandes empresas).

Termos a melhor estratégia nacional para o Talento (atração de jovens e famílias, diversificar a oferta de qualificações, novos modelos de habitação, mais flexíveis e ajustados à realidade atual, um local para os que queiram trabalhar remotamente). Aumentar o emprego disponível e a média de salários do concelho.

Sermos o local do país com as melhores políticas para a infância: espaços públicos criativos, todos os equipamentos municipais com agendas para a infância, novos modelos educativos nos nossos jardins de infância e escolas. Colocarmos as crianças a sonhar o concelho e uma câmara que concretize (tudo o que for humanamente possível, claro!).

Alcobaça 360/365: Reinventar a experiência turística do concelho. Fazer de Alcobaça o primeiro destino digital do mundo, apostar num turismo de experiências com conteúdos culturais e científicos (como o projeto que temos São Martinho – Porto de Descobertas). Construirmos com a comunidade local, numa realidade rural, um nano destino turístico, por exemplo em Alpedriz, Montes e Cós.

Mais prevenção para melhor assistência: complementar a oferta de cuidados de saúde existentes com soluções de tele-saúde; criar programas de prevenção da violência e instituir, nos casos de violência doméstica, o princípio de que o agressor é que sai de casa.

Como combater a perda de habitantes? Como tornar o concelho mais atrativo e competitivo?

Gerar emprego. Se crescermos economicamente, seremos um local para atrair mais população, principalmente se trabalharmos, em simultâneo, as novas soluções de residência. O setor privado tem capacidade de resolver o problema, mas temos de criar um círculo virtuoso. Um dos projetos que temos é implementar um modelo de trabalho e residência, para permanências até 6 meses. Isto permite que pessoas e famílias se instalem rapidamente no território. Defendemos uma estratégia de especialização inteligente assente em 3 eixos: Casal da Areia e Pataias na economia circular; Alcobaça e São Martinho do Porto no turismo, cultura e conteúdos; Benedita na indústria 4.0 com a mecatrónica robótica e automação.

O que faria no património, agora com o Mosteiro de Alcobaça na lista da UNESCO de Património Mundial em Risco?

Nós temos uma proposta para a conservação e gestão do património cultural, com inspiração no modelo inglês. Mais do que edifícios queremos preservar o ambiente histórico, um conceito que coloca as pessoas no centro do processo. Interessam-nos os pequenos patrimónios, os tangíveis e intangíveis, a mistura entre património natural e histórico. Defendemos a criação de um Museu da Faiança Nacional, com principal destaque para tradição cerâmica local e para experiências e ateliês de cerâmica.

Defendemos um modelo de gestão baseado na autonomia, que é o oposto do que temos hoje sob a alçada da Direção-Geral do Património Cultural. Esta inclusão revela que o esforço de conservação, apesar de evidente, não chega. Preocupa-nos o imobilismo de quem gere, que tem dificuldade em abrir o Mosteiro a Alcobaça. Conservar o património é, hoje em dia, gerir a mudança de usos e formas de fruição do espaço. Nós temos dito que, mais do que um Mosteiro de Alcobaça, queremos um Mosteiro com Alcobaça. Que abra oportunidades para uma economia de experiências, para novos projetos culturais e participação da sociedade. Em Portugal, e em Alcobaça em particular, ficamos satisfeitos com os títulos, como o de Património da Humanidade, mas não mudamos nada da forma como as coisas (não) funcionam.

O que faria para a comunidade católica de Alcobaça ter, como dita a lei, afetação permanente ao culto e acesso ao Mosteiro, que é hoje a Igreja Paroquial?

A Câmara pode assumir um papel de mediação e sensibilização das partes. Com a comunidade católica local, temos desafios que nos parecem muito interessantes na preservação do património (como, por exemplo, o património associado ao culto mariano nos coutos de Alcobaça). Há muito trabalho a fazer para comunicar esse património que nos leva até às nossas aldeias e até alguns locais mais recônditos. Contem comigo para cumprir com pluralidade religiosa e a liberdade de culto ou pensamento. Somos acérrimos defensores das liberdades individuais.

Que repto tem a dirigir aos seus opositores?

O meu repto é: aceitam ter mais debates sobre propostas, generalistas ou temáticas, e o futuro do concelho? Ou estão satisfeitos com a democracia de serviços mínimos que temos tido? Aceitam o repto de termos debates sobre temas concretos para que possamos apresentar mais a fundo o que defendemos?

Por que devem os eleitores votar em si?

Tenho a independência que o concelho necessita para mudar. Tenho a experiência e a energia necessárias e temos uma equipa muito completa, de gente experiente e competente nas suas áreas profissionais. Representamos os valores que são a base dos países mais desenvolvidos do mundo e, principalmente, vamos trazer uma forma de estar na política muito mais transparente e exigente. Exigente até para os eleitores e munícipes. Queremos os cidadãos a participar no processo de construção de um concelho muito diferente, e para melhor, do que aquele que temos hoje. 

Qual a primeira medida que tomaria?

O primeiro ato seria, certamente, falar com todos os colaboradores do município e partilhar com eles o que defendemos e como precisamos deles para mudar Alcobaça. Dar início ao processo de isenção de derrama municipal para as empresas e de devolução aos cidadãos do IRS destinado ao município.

A entrevista foi concedida por escrito.

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