No passado dia 19 de setembro inaugurou-se no Covão do Milho, à beira da Estrada D. Maria Pia, no cruzamento da R. da Capela Nossa Senhora da Nazaré com a oliveira dedicada a Zé Sapateiro, em 2023, o mural com o burro de Silvestre Carlos, ‘O Gaiato’ pintado por António Paulino e seu filho Dylan na empena da casa de José Bico.
Nesse burro, pagando cinco tostões, atravessava-se a inundação do Rio Seco nas Redondas, nos invernos mais chuvosos. Ouviu-se ler o que sobre essa maré, pedras e casario escreveu António Nogueira da Silva no conto Vento Suão. Lembrou-se a saudosa poetisa Áurea da Mata e estes nomes juntaram-se ao de Zé Sapateiro, natural de Benedita, na oliveira em frente, junto do totem.
Assistia o burro Chivanca atrelado Rota Estrada D. Maria I / D. Maria Pia – O burro do mural ‘Silvestre – o Gaiato’ Lúcia serralheiro Terra Mágica das Lendas da Benedita à sua carroça, ao cantar ao desafio de seus donos, Francisco e a sua avó Helena, memórias de outrora, que se continuaram ouvindo à sombra de eucaliptos da Festa da Serra no bar, onde a sua concertina e o acordeão do pintor Paulino acompanharam lendas, algo picantes, que a sua avó aprendera com o filho de Zé Sapateiro, em casa de quem trabalhou.
Nesta animada e divertida tarde com crianças, animais e gente da Benedita e de Turquel em memória da Capela na Serra dos Candeeiros, de onde se vê o mar, repartiram-se relatos antigos de trabalhos, festas e até Olga, irmã de Áurea, que foi catequista de Francisco, recordou que já em criança ele sabia cavar e que o dia mais feliz da sua vida foi quando o pai lhe comprou um cavalo/burro que tanto desejava.
Não gostava da escola, mas na catequese espantou todos, no teatro dos três pastorinhos, representando o pastor Francisco, sem esquecer uma palavra! Iniciou-se aqui nesta Rota a celebração do tema de 2026 – Património em Risco – das Jornadas Europeias do Património, em seis freguesias da Estrada D. Maria, com diferentes pinturas de burros, e as suas memórias, dedicadas aos mais novos, revivendo o que diz Nogueira da Silva ‘a gente da borda da serra habituada aos desaires de uma vida agreste, incerta, não se amedronta, nem recua, e volta à carga em árdua luta pela sobrevivência, removendo destroços, lançando mãos-cheias de sementes à terra, de cabeça levantada e peito firme, rijo, tão firme e tão rijo como a serra’.





























