O saudoso José Luís Machado foi correspondente de “O Alcoa” na Benedita durante uma vida. O Zito era um homem inteligente e aprende-se muito com as pessoas inteligentes. Já lá vão trinta anos que passei a pente fino o arquivo de O Alcoa, graças à simpatia do seu diretor, na época, o professor Mário Vazão. O José Luís Machado foi relatando, quinzenalmente, o que ia acontecendo na sua terra, no que diz respeito ao Desenvolvimento Comunitário. Aquela prosa simples, mas correta, relata com grande rigor o que se ia passando. Percebe-se que a população local ia aceitando muito bem as alterações sociais e económicas. Perante a falta de documentação sobre Desenvolvimento Comunitário, que é grande, o Zito é uma peça informativa muito importante deste processo. Sei bem o que são trabalhos académicos na área da História. Não posso fazer juízos de valor. Muitas vezes, não conheço as condicionantes de quem os escreveu. Todos eles terão o seu valor. Tenho, contudo, de estranhar que se faça um trabalho desse género, sobre este tema sério, sem consultar o que O Alcoa publicou, nessa época, sobre o assunto. Hoje, há outros meios, nomeadamente na área digital. A verdade é que os jornais e outras publicações são fontes bibliográficas que estão ao alcance de quem quer que seja. Ignorá-las por opção ou por esquecimento é contribuir, mesmo que involuntariamente, para que figuras importantes deste processo sejam esquecidas. O Desenvolvimento Comunitário está, infelizmente, cheio destes casos.