O Direito à Memória

Rui Mendes
Historiador e Investigador

Neste tempo, em que se dá tanta importância a coisas efémeras, mas que pouco ou nada acrescentam à nossa história coletiva, é cada vez mais urgente que a sociedade em geral, e as instituições políticas e administrativas em particular, defendam o direito à memória, i.e. o direito a que as comunidades e a sua história e património local sejam preservados através da sua divulgação e da sua conservação e restauro.
Nada é só uma casa, uma pedra, uma quinta, uma fonte, um poço, uma capela ou azinhaga, tudo tem uma origem, uma história e uma memória que, no seu conjunto, fazem parte da identidade única da comunidade a que pertencemos, que ajudamos a construir e que também contribuiu para a construção da nossa identidade pessoal e coletiva.

Se o direito à integridade e identidade pessoal é um direito constitucional inalienável previsto no artigo 33 da Constituição da República Portuguesa, então com ele é fundamental garantir também o direito à memória e à promoção e preservação da identidade e património cultural em todas as suas vertentes.
Estão de parabéns este conjunto de cidadãos alcobacenses e amigos da Vila da Benedita a que, com todo gosto, me associei, pela abnegada luta pela preservação da Quinta da Serra não só pelo seu valor histórico e patrimonial, mas sobretudo por essa preservação constituir um bem tão importante como o da preservação da memória.

Bem haja por esta luta que, ainda não estando ganha, é já um exemplo para todos quantos, em toda parte deste país, têm lutado contra uma das maiores ameaças ao património cultural português, que tão bem lembra Vitor Serrão, a Desmemória!

Rui Mendes
Historiador e Investigador

Uma resposta

  1. É fundamental preservar a Quinta da Serra porque é necessário preservar a memória das actividades agrícolas na região e, lamentavelmente, essas memórias já quase não existem.
    Se a Quinta da Serra desaparecer desaparecerá com ela a ultima memória de um lagar de azeite de varas, dos vários que existiram na borda da serra.
    Agora que temos como vice-presidente da Câmara uma pessoa que tem a obrigação de conhecer bem – e conhece – o património concelhio, estou convencido de que o essencial da Quinta da Serra será salvo e harmoniosamente integrado no parque empresarial.

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