Diz-se que de pequenino é que se torce o pepino. Porque é nas primeiras idades que a criança e o jovem podem adquirir os valores essenciais à sua educação. Este dito lembra-me a série “Adolescência” da Netflix. Um campo enorme cheio de pepinos descartados e por torcer. Tudo parte de uma tragédia. Jamie, de treze anos, esfaqueia até à morte uma colega da sua idade. O que é que levaria um rapaz a cometer um crime de tal gravidade? Os episódios sucedem-se uns aos outros e vamos percebendo com o decorrer da trama que na escola as coisas não estão bem. Com a ida da equipa policial ao estabelecimento de ensino, salta-nos à vista a confusão. Um absoluto desrespeito à autoridade dos professores. Estes surgem completamente exaustos e a gritar para se fazerem ouvir. A “bagunça” de ruído e o desinteresse da parte dos alunos fazem estremecer e interrogar. Por entre símbolos e mensagens enviados pelos adolescentes de uns para os outros, que são como um código, só por eles percetível, fazem-se notar situações de um “bullying” esmagador, que deixa as vítimas sem chão. Depois de ver os primeiros três episódios da série, que não me têm saído da mente, parti para um trabalho de campo. Tenho questionado alguns professores do nosso meio. “Viu a série?”, pergunto. “Vi, sim”, respondem-me. “Na sua opinião, as nossas escolas também são assim?”, questiono. “São, sim”, disparam sem pensar duas vezes. Então reflito: o que fazer? Como é que será possível mudar? O que fazer por um sistema escolar que parece implodir? O que é que podemos fazer pelos nossos professores, que acredito que tantas vezes se sintam abandonados no meio da selva? Mas o cuidado da adolescência é também emergência. O que mais me marcou na série foi um diálogo entre Jamie e a psicóloga. A especialista é-o de facto. Brilhante nas interrogações ao jovem e nas informações que dele consegue arrecadar. Ao terminar a consulta, a psicóloga afirma que terminou o seu trabalho e dá a entender que não se voltarão a encontrar. Jamie sente-se usado e explode de fúria. Pensei: afinal, o segredo continua a ser o amor. E o Amor.
Leia o artigo de opinião na edição de 15 de janeiro de 2026




























