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“O mandato de Paulo Inácio foi uma desilusão”

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Candidato do CDS/PP à Câmara de Alcobaça, Carlos Bonifácio, na segunda entrevista de uma ronda aos cabeças de lista nas eleições autárquicas de 2013. Depois de dois mandatos, na Câmara Municipal de Alcobaça, como vice-presidente no executivo de Gonçalves Sapinho, Carlos Bonifácio, aos 50 anos, candidata-se agora, como independente, encabeçando a lista do CDS/PP.

PERFIL

Nome: Carlos Manuel Bonifácio
Data de nascimento: 25 de setembro de 1962
Naturalidade: Marinha Grande
Formação Académica: Licenciado em Gestão de Recursos Humanos e Pós-Graduado em Estratégia
Atividade profissional: Consultor/Formador, trabalhando para várias empresas e entidades, tendo-se especializado na área da avaliação de desempenho dos funcionários públicos

O que o leva a candidatar-se? É a pessoa certa para representar o CDS/PP de Alcobaça? 
Senti que ao longo destes quatro anos, o atual executivo não correspondeu às expetativas e, pela minha experiência autárquica durante oito anos, sinto que posso dar um contributo reposicionando Alcobaça. Alcobaça está um pouco estagnada e é por isso que apresento esta candidatura trazendo ideias novas que podem mexer este concelho. Não sou filiado no CDS/PP; recebi um convite e conto com o apoio do CDS/PP. Sou um candidato independente. Por não ter vínculo ao partido, constitui uma lista que é da minha total responsabilidade.

Já tinha pensado nesta candidatura antes de surgir o convite? Consigo o CDS/PP vai ganhar a Câmara de Alcobaça? 
A candidatura foi uma questão bastante amadurecida. Efetivamente, neste momento, os partidos ainda contam muito. As candidaturas de independentes que vão aparecendo estão sempre numa situação de desigualdade em relação às forças partidárias desde logo porque temos que ir para o terreno recolher assinaturas e isso implica uma desigualdade. Venho para estas eleições não para participar, mas para as disputar e ganhar. Estou muito motivado. Constituí um grupo de pessoas que estão neste momento a trabalhar comigo e que me dão garantias de facto de sermos uma alternativa à atual gestão camarária.

Não o preocupa que o eleitorado considere que traiu o PSD mudando de cor política? Esta mudança deve-se ao facto de não ter sido o escolhido pelo PSD há quatro anos?
Não. Penso que as pessoas sabem que eu não traí o PSD. Abandonei o PSD; portanto, sou um cidadão livre e devo ter a minha participação cívica. No momento certo, desfiliei-me do PSD porque não concordo com o caminho e o rumo que, em termos locais, está a ser conduzido no concelho. Esta câmara, há quatro anos, tinha no seu slogan: “A nova dinâmica”. Depois destes quatro anos, esta frase até deve fazer corar de vergonha a quem a produziu. Este conceito ficou, em termos autárquicos, parado e vazio. A mudança não tem rigorosamente nada a ver com esse facto [de não ter sido o candidato do PSD em 2009]. Aliás, quero dizer: se efetivamente esta gestão camarária tivesse mostrado serviço e apresentado uma linha de rumo consistente para o concelho, seguramente, eu não estaria aqui.

O que faz um bom político? Considera importante que um político tenha uma carreira e atividade profissional para além da política?
Acima de tudo, honestidade. A política hoje está a viver um dos períodos mais negros. Mas não concebo uma sociedade onde não haja política. Outro aspeto que faz um bom político é ter profissão. A política não é nem pode ser uma profissão. Primeiro está a vida profissional das pessoas. A política é um ato de exercício de cidadania que ocorre em determinados períodos da vida. Também não aceito a eternização das pessoas nos lugares políticos.

Como avalia o mandato de Paulo Inácio à frente da câmara?
O mandato de Paulo Inácio é um mandato de pura desilusão. É um mandato em que o concelho de Alcobaça, por ausência de uma linha estratégica, não sabe para onde vai. Está numa encruzilhada e hoje não se conhece uma ideia para o concelho de Alcobaça. E é isso que se fala na rua. De facto não é possível estar à frente do segundo maior município do distrito de Leiria sem se apresentar uma proposta válida. Este mandato foi um grande falhanço. Esta foi a primeira câmara que perdeu fundos comunitários. Depois da nossa entrada na União Europeia, todos os executivos procuraram canalizar e trazer para Alcobaça o maior número de apoios financeiros possível a nível da União Europeia. O atual executivo perdeu quase tudo. É inacreditável gastar 2,6 milhões de euros num jardim; é politicamente imperdoável.

(Leia a entrevista na íntegra na edição em papel de 27 de junho de 2013)

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