O Domingo de Pentecostes é sempre um dia de luz e renovação para todos. O que se traduz na alegria de se saber habitado pelo Espírito Santo e de se sentir chamado a anunciar Cristo a quantos com quem nos cruzamos. A mim marca-me sempre um aspeto que a Palavra de Deus sublinha: iluminados pelas chamas de fogo do Espírito divino que desceram sobre eles, os Apóstolos deixam para trás o medo e saiem a falar a todos da boa notícia de Jesus. A cidade de Jerusalém estava cheia de gente de várias regiões do mundo distintas e por isso com línguas diferentes umas das outras. Diz o narrador do livro dos Atos dos Apóstolos que todos conseguiam entender na perfeição, nas suas próprias línguas, a palavra que os Apóstolos pronunciavam. Como se se tratasse de uma forma de esperanto. Uma língua universal, entendida por todos. Faz lembrar necessariamente a célebre passagem bíblica da Torre de Babel, em que a ambição do homem de alcançar o Céu por sua conta e risco dá para o torto. Resulta na desunião da humanidade e na sua dispersão. Parece que no Domingo de Pentecostes se supera Babel e podemos ser uma vez mais um só povo, que se compreenda entre si e contribua para que se vire a página da história e se construa um mundo novo. Penso: que o Espírito Santo desça hoje sobre cada um. Que repouse sobre os líderes das nações para que olhem a humanidade como família. Que nos inspire a todos, com vista a sabermos rejeitar todo o conflito e toda a guerra e adotarmos uma língua universal: a língua do amor de Cristo. A partir da qual não me prendo só em mim, mas tenho a ousadia de colocar o outro no centro, bem como as suas necessidades. Que o Espírito de Deus venha sobre nós e nos ensine o dom de amar. O nosso primeiro esperanto.




























