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O valor do Património Cultural

“Se destruís o passado, destruís a alma. Ficais sem raízes para corrigir o futuro. Os homens foram notáveis pelo que fizeram de notável”. Palavras colocadas na boca de um monge cisterciense de Alcobaça pelo escritor Luís Rosa, no seu excelente livro “O Claustro do Silêncio”. Esta citação vem a propósito da conferência promovida pel’O ALCOA, no passado dia 26, sobre o património da região de Alcobaça, na sequência da rubrica recentemente criada pelo jornal “S.O.S. Património”. De facto, tudo o que representa a identidade de um povo, seja nas artes, nas letras, nos hábitos, poderá constituir património valioso que importa Recuperar, Preservar, Cuidar, Conservar e, se necessário, Restaurar. É assim que se constrói a memória coletiva das gentes e dos locais em que habitam. Já os latinos diziam “cultura esse traditio” (cultura é a tradição), o que significa que os novos avanços civilizacionais só acontecem por ter havido anteriormente outros avanços (a tradição). E esses novos avanços vão ser amanhã… tradição. Depois, outros avanços se hão de seguir. Os edifícios, as obras de arte, as pérolas literárias, para além de enformarem a memória de um povo, dão também um importante contributo para os avanços da História. Ora, em torno do Mosteiro de Alcobaça, particularmente nos seus coutos, desenvolveu-se ao longo dos séculos um riquíssimo património. Em Novembro de 1994, o Museu do Mosteiro de Alcobaça e o IPPAR promoveram uma importante exposição de arte sacra dos antigos coutos, com obras de escultura, pintura, cerâmica, ourivesaria e paramentaria. As peças expostas foram cedidas pelas diferentes igrejas das freguesias do concelho e por outras individualidades. Pôde-se aí apreciar a riqueza artística dos antigos coutos. Foi como que um convite para apreciarmos o nosso património. Que é inestimável.

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