Os primeiros dias de novembro deste ano ficaram marcados por uma imagem. Leão XIV visita a Basílica de Santa Maria Maior e dirige-se à sepultura do seu antecessor, o Papa Francisco. Deixa sobre a pedra com a única expressão “Franciscus” um ramo de flores. No fundo, a morte não é fim. É antes um deitar de semente à terra, que vem a germinar e crescer. Pois, para um cristão, morrer é viver a passagem para uma vida nova, a eternidade. As flores que colocamos sobre uma sepultura são imagem da beleza da Ressurreição de Cristo, que se propaga para a nossa própria existência. Do nada da nossa vida, Ele dá a possibilidade de que surjam maravilhas. De seguida, o Papa Leão deteve-se uns instantes a rezar de joelhos junto à sepultura. Em silêncio. Um gesto aparentemente demasiado simples e comum. Mas ao mesmo tempo carregado de sentido. O mês de novembro é sempre uma mensagem escrita por Deus para a humanidade. É necessário estarmos focados numa meta específica que dê sentido ao nosso caminhar. O Céu. A vida eterna. É de facto triste quando nos dirigimos a alguém e o questionamos sobre o que é que o move na vida e a pessoa fica sem resposta, sem chão. Não está habituada a pensar mais longe. O seu viver passa somente pelo aqui e agora. Se nas nossas orações, pedimos aos nossos entes queridos que intercedam por nós junto de Deus, é porque reconhecemos que eles já estão naquele lugar de glória que pretendemos alcançar. Se pedimos por eles ao Senhor, é porque desejamos acima de tudo que eles estejam na sua presença, onde nada lhes falta e vivam para sempre em paz. É neste sentido que importa recordar a morte. Colocarmo-nos no nosso lugar, com a consciência da nossa fragilidade e constante incerteza do amanhã. Visitar as sepulturas dos nossos antepassados, familiares e companheiros é reconhecer que vamos aos ombros de gigantes, guiados pelo seu exemplo, pelo seu testemunho. Papa Francisco, aí do Céu, intercede pelo Papa Leão, para que seja um pastor à imagem de Cristo. Intercede pela Igreja, para que seja humilde e simples, como fizeste questão de frisar. Intercede pelo mundo, para que não se autodestrua na guerra e no conflito. Intercede por nós, que um dia havemos de nos reencontrar.